📉 ROMBO DOS CORREIOS EXPLODE E GOVERNO NÃO SABE COMO ESTANCAR A SANGRIA

O governo federal ainda não apresentou uma resposta proporcional à crise financeira que atinge os Correios. Ao divulgar o balanço bimestral, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a estatal negocia um empréstimo bilionário com garantia do Tesouro Nacional e foi orientada a elaborar um plano de reestruturação. Mesmo assim, admitiu que o prejuízo deve aumentar em 2026.
O alerta é grave: se os Correios não pagarem o empréstimo, a conta recairá sobre os contribuintes. O prejuízo da empresa é o principal responsável pelo pior desempenho das estatais dependentes do Tesouro neste ano. A previsão inicial era de déficit de R$ 6,2 bilhões — mas o rombo já chegou a R$ 9,2 bilhões, obrigando o governo a contingenciar recursos para tentar preservar a meta fiscal.
A Petrobras está fora dessa conta porque não é estatal dependente; tem capital aberto e outra lógica de gestão. Entre as dependentes do Tesouro, porém, os resultados seguem deteriorando as contas públicas — e os Correios são o epicentro da crise.
A estatal registrou prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre, e não há, até agora, um plano robusto de reação. A Fazenda diz que pediu ao presidente da empresa um plano de retomada. Mas, sem uma estrutura firme, a possibilidade de o rombo se repetir é real. O próprio Durigan reconheceu: o ano que vem será pior.
O debate sobre a função social da estatal já voltou à mesa. Defensores argumentam que os Correios têm papel essencial no atendimento de regiões remotas, onde o setor privado não atua. Críticos questionam se esse objetivo justifica a manutenção de uma empresa que acumula prejuízos seguidos, sem horizonte de reversão.
A discussão ocorre em contexto fiscal delicado. O governo Lula conseguiu resultados melhores que os registrados em gestões anteriores, mas a dívida pública segue alta e sem perspectiva clara de estabilização. Não há colapso, como afirmam setores mais alarmistas, nem bonança, como tenta emplacar parte da base governista.
Quem sintetizou esse impasse foi a ministra do Planejamento, Simone Tebet:
“O governo do presidente Lula andou mais lentamente do que precisávamos em reformas fiscais.”
A frase ecoa dentro do Congresso e do mercado: sem reformas estruturais, a crise dos Correios é apenas o sintoma mais visível de um problema que tende a se repetir.