🔴 EM MEIO A DENÚNCIAS CONTRA EMPRESA DO PAI, PRESIDENTE DA EPTI É EXONERADO E PRESSÃO CHEGA AO PALÁCIO
Saída ocorre após revelações de irregularidades em empresa de ônibus ligada à família da governadora Raquel Lyra e pedido de impeachment na Alepe
A crise envolvendo a empresa de ônibus Logo Caruaruense, pertencente ao ex-governador João Lyra Neto, pai da governadora Raquel Lyra (PSD), ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). O presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux, foi exonerado do cargo. A saída, registrada no Diário Oficial do Estado, ocorreu “a pedido”, em meio ao avanço das denúncias e à pressão política sobre o governo.

Reinaux ocupava a presidência da EPTI desde junho de 2023 e era o responsável direto pela fiscalização das empresas que operam o transporte intermunicipal de passageiros em Pernambuco — justamente o setor onde surgiram as denúncias mais sensíveis para o Palácio do Campo das Princesas.
Na mesma edição do Diário Oficial, o governo nomeou Yuri Coriolano, até então secretário executivo da Casa Civil, como novo presidente da autarquia.
🚍 DENÚNCIAS CONTRA EMPRESA DA FAMÍLIA
A exoneração ocorre poucos dias após vir à tona que a Logo Caruaruense vinha operando sem vistorias regulares, com ônibus fabricados há mais de 14 anos e em condições precárias, contrariando normas do sistema de transporte intermunicipal.
Relatórios internos apontam que a frota estaria com certificados vencidos, sem Certificado de Registro Cadastral (CRC) e sem fiscalização efetiva há pelo menos três anos. Mesmo diante dessas irregularidades, a empresa continuou operando e, segundo denúncias apresentadas à Assembleia Legislativa, recebeu recursos públicos do Estado.
As revelações motivaram o deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) a protocolar um pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra, sob a alegação de conflito de interesses, omissão administrativa e violação aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade.
⚖️ IMPEACHMENT EM ANÁLISE
O pedido será analisado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB), que é opositor do governo. A tramitação só terá prosseguimento caso obtenha o apoio de dois terços dos deputados estaduais.
Para Romero Albuquerque, a exoneração do presidente da EPTI não encerra o caso. Segundo ele, permanece sem resposta a principal questão:
“Por que a empresa da família da governadora operou por anos sem fiscalização e continuou recebendo recursos públicos?”
🏛️ GOVERNO SE DEFENDE
Na última sexta-feira, a Logo Caruaruense anunciou o encerramento definitivo de suas atividades, após mais de 60 anos de operação. O governo informou que as linhas serão redistribuídas a outras empresas para evitar prejuízos à população.
Já nesta terça-feira (20), durante reunião da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Raquel Lyra reagiu publicamente ao pedido de impeachment. Em discurso firme, afirmou não temer investigações e declarou:
“Não se mexe com a honra de uma pessoa honrada.”
A governadora comparou a situação à CPI da Publicidade, enfrentada anteriormente, e disse que continuará focada na gestão, negando qualquer favorecimento à empresa da família.
🔍 CONTEXTO POLÍTICO
O episódio ocorre em meio ao acirramento do cenário político em Pernambuco. Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), são adversários diretos e devem disputar o governo do Estado nas próximas eleições. Ambos, inclusive, tornaram-se alvos recentes de pedidos de impeachment apresentados por aliados do campo oposto.
Enquanto o governo tenta conter os danos, a exoneração na EPTI é vista nos bastidores como um movimento para estancar a crise, mas que não encerra o desgaste político nem afasta a pressão por esclarecimentos mais profundos.