Datafolha: João Campos lidera para o governo de PE, mas Raquel encosta e reduz vantagem
| Candidato | Porcentagem | Status |
| João Campos (PSB) | 🟦🟦🟦🟦🟦🟦🟦 47% | Liderança |
| Raquel Lyra (PSD) | 🟧🟧🟧🟧🟧 35% | Em ascensão |
| Eduardo Moura (Novo) | ⬜ 5% | – |
| Ivan Moraes (PSol) | ⬜ 1% | – |
| Brancos/Nulos | ⬛ 10% | – |
| Não sabem | ⬜ 2% | – |
Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (6) mostra o prefeito do Recife, João Campos (PSB), na liderança da corrida pelo governo de Pernambuco, com 47% das intenções de voto. A governadora Raquel Lyra (PSD) aparece em segundo lugar, com 35%.
Apesar da vantagem do socialista, o levantamento indica que a diferença entre os dois caiu dez pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em outubro. Naquele cenário, João Campos liderava com 52%, contra 30% de Raquel.
Na sequência, o deputado estadual Eduardo Moura (Novo) aparece com 5%, enquanto Ivan Moraes (PSOL) soma 1%. Brancos e nulos chegam a 10%, e 2% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.
RAQUEL SUPERA JOÃO NA PESQUISA ESPONTÂNEA
Na pesquisa espontânea — quando o eleitor responde sem receber uma lista de nomes — a governadora aparece à frente do prefeito.
Nesse recorte, Raquel Lyra tem 24%, enquanto João Campos registra 18%.

SEGUNDO TURNO: JOÃO CAMPOS AINDA VENCE, MAS DISTÂNCIA DIMINUI
O Datafolha também simulou um eventual segundo turno entre os dois principais nomes. João Campos venceria Raquel por 53% a 40%.
Mais uma vez, a comparação com outubro aponta redução da diferença: no levantamento anterior, João aparecia com 58%, contra 35% da governadora.
REJEIÇÃO: RAQUEL TEM 31% E JOÃO, 23%
A pesquisa ainda mediu a rejeição dos candidatos. No cenário estimulado, Ivan Moraes (PSOL) é o mais rejeitado, com 43%, seguido por Eduardo Moura (Novo), com 35%.
Raquel Lyra aparece com 31% de rejeição, enquanto João Campos registra 23%.
Outros 3% disseram que não votariam de jeito nenhum em nenhum dos nomes apresentados, e 2% afirmaram não rejeitar nenhum candidato.
DADOS DA PESQUISA
O levantamento Datafolha/CBN foi encomendado pela CBN Recife e CBN Caruaru, e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números PE-09595/2026 e BR-06559/2026.
Foram ouvidos 1.022 eleitores, entre os dias 2 e 5 de fevereiro, em Pernambuco. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
CLIMA POLÍTICO: TENSÃO, ACUSAÇÃO DE “ESPIONAGEM” E DISPUTA PELO APOIO DE LULA
A pesquisa é divulgada em meio ao acirramento do conflito político entre João Campos e Raquel Lyra.
Nos últimos dias, uma denúncia de monitoramento de policiais civis sobre a rotina do secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, virou nova frente de embate entre o Palácio do Campo das Princesas e a Prefeitura do Recife.
Monteiro teria sido seguido entre agosto e outubro de 2025, com informações compartilhadas em grupo de mensagens que incluía delegados. O caso foi revelado pela TV Record.
João Campos classificou a situação como “absurda”, falou em perseguição política e prometeu responsabilização. Raquel Lyra, por sua vez, defendeu a Polícia Civil e afirmou que a corporação agiu dentro da legalidade, para apurar uma denúncia anônima de corrupção.
Além da crise, os dois também disputam espaço e influência junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujo apoio é considerado estratégico para a eleição do próximo ano.
🏛️ 1. O Contexto Histórico: A Hegemonia do PSB vs. A Força de Raquel
Para entender os 47% de João Campos, é preciso lembrar que o PSB (Partido Socialista Brasileiro) governou Pernambuco por 16 anos consecutivos (2007-2022), sob a liderança de Eduardo Campos e depois Paulo Câmara.
A vitória de Raquel Lyra em 2022 foi um marco histórico: ela quebrou essa sequência, tornando-se a primeira mulher governadora do estado e tirando o PSB do Palácio do Campo das Princesas.
Comparativo: 2022 (Resultado Real) vs. 2026 (Pesquisa Datafolha)
| Momento | Liderança | Vice-Liderança | Contexto |
| 2º Turno 2022 | Raquel Lyra (58,7%) | Marília Arraes (41,3%) | Raquel venceu com uma frente ampla. |
| Pesquisa Fev/2026 | João Campos (47%) | Raquel Lyra (35%) | O PSB tenta retomar o estado com seu nome mais forte. |
Exportar para as Planilhas
Por que a queda de Raquel? Diferente de 2022, onde ela era a “novidade” e a “oposição”, agora ela carrega o peso da máquina estatal (desgaste natural do governo) e enfrenta um prefeito (João Campos) que saiu de sua reeleição no Recife com aprovação recorde.
🕵️ 2. O Escândalo da ‘Espionagem’: Entenda a Crise
Este é o ingrediente mais explosivo da pré-campanha atual. O caso envolve o monitoramento de Gustavo Monteiro, braço direito de João Campos.
Os Dois Lados da Moeda:
- A Versão da Prefeitura (João Campos):
- Alega que policiais civis foram usados como “polícia política”.
- O monitoramento teria durado 3 meses (agosto a outubro de 2025) sem autorização judicial clara para esse fim.
- Argumentam que o objetivo era puramente eleitoral: colher informações estratégicas da articulação política do prefeito.
- A Versão do Estado (Raquel Lyra):
- A Secretaria de Defesa Social afirma que tudo faz parte de uma investigação legítima.
- Dizem que houve uma denúncia anônima de corrupção e que a Polícia Civil tem autonomia para investigar qualquer cidadão, independentemente do cargo.
- O termo “alvo da missão” em grupos de mensagens seria jargão policial padrão.
Impacto na Pesquisa: A pesquisa captou esse “ruído”. Embora João lidere, a subida de Raquel (diminuindo a distância em 10 pontos) sugere que o discurso de “combate à corrupção” ou a maior exposição da governadora nos embates pode estar surtindo efeito em sua base.
🤝 3. O “Troféu Lula”: A Disputa pelo Palanque
Pernambuco é um dos estados mais lulistas do Brasil. Ter a foto ao lado de Lula é quase um seguro eleitoral.
- João Campos: Tem a vantagem histórica (o PSB é o principal aliado nacional do PT) e a amizade pessoal. Ele se coloca como o “soldado de Lula” em Pernambuco.
- Raquel Lyra: Fez um movimento pragmático ao sair do PSDB e ir para o PSD (partido da base de Lula). Ela tem atraído ministros de Lula para seus eventos, tentando evitar que o presidente suba apenas no palanque de João.