Documento interno revela colapso nos Correios: prejuízo pode chegar a R$ 9,1 bilhões em 2026

Um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) aponta que a estatal entrou em um “ciclo vicioso de prejuízos”, marcado por perda de clientes, queda de receitas e deterioração da qualidade operacional.

O relatório, obtido com exclusividade pelo g1, afirma que o agravamento do desempenho operacional foi o principal fator para a empresa registrar prejuízos recorrentes nos últimos trimestres.

Segundo a diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, a baixa qualidade dos serviços teria provocado a perda progressiva de clientes e de receitas, reduzindo a geração de caixa necessária para manter as obrigações em dia.

“Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”, afirmou a diretora.

O documento aponta que os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões a fornecedores, empregados e em tributos até setembro de 2025. O relatório também destaca que o ponto mais crítico para a sustentabilidade da estatal é a insuficiência de caixa.

Ainda de acordo com a diretoria, a situação comprometeu diretamente a relação com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — e tornou as negociações “cada vez mais sensíveis”.

O relatório afirma que a empresa registrou uma redução de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa entre janeiro e setembro de 2025. O valor representa uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período de 2024.

As entradas de caixa nos nove primeiros meses de 2025 somaram R$ 16,94 bilhões, contra R$ 18,37 bilhões em 2024. Já as saídas atingiram R$ 16,68 bilhões, enquanto no mesmo período do ano anterior chegaram a R$ 20,65 bilhões, segundo o documento.

Para tentar aliviar a crise, os Correios buscaram empréstimos e contrataram R$ 13,8 bilhões em 2025. No entanto, o relatório aponta que a maior parte dos recursos só entrou no caixa no dia 30 de dezembro.

Prejuízo bilionário e projeções

O documento traz uma revisão na expectativa de resultado para 2025. A nova projeção da estatal é fechar o ano com prejuízo de R$ 5,8 bilhões, um pouco menor do que o acumulado até setembro, de R$ 6 bilhões.

Para 2026, porém, a diretoria estima que o rombo será ainda maior e pode atingir R$ 9,1 bilhões.

“Executando o pagamento de todas as obrigações (despesas correntes) incluídas no Programa vigente de Dispêndios Globais, havia a projeção de déficit na ordem de R$ 7,9 bilhões em dezembro de 2025, posteriormente reajustada para R$ 5,8 bilhões; e déficit de R$ 9,1 bilhões em dezembro de 2026”, diz o documento.

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