PF APONTA MAIS DE 10 ENCONTROS ENTRE TOFFOLI E DONO DO BANCO MASTER; RELATÓRIO CITA R$ 35 MILHÕES

Um relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) cita mais de dez encontros presenciais entre o ministro Dias Toffoli e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com a PF, as reuniões ocorreram entre 2023 e 2024 e indicariam uma relação mais próxima do que a apresentada publicamente pelo ministro. O documento aponta que os encontros aconteceram principalmente em eventos em Brasília, como jantares e festas, e seriam corroborados por mensagens e outros indícios reunidos na investigação.
O caso ganhou força depois que Toffoli deixou a relatoria dos inquéritos ligados ao Banco Master. A saída ocorreu após o presidente do STF, Edson Fachin, receber um relatório da Polícia Federal listando elementos que levantariam suspeita sobre a imparcialidade do ministro.
Na ocasião, Toffoli negou ter amizade com Vorcaro e afirmou que não havia base para alegar suspeição.
Procurados para comentar a informação sobre mais de dez encontros, Toffoli e Vorcaro não responderam.
CRISE INTERNA NO STF
O relatório também contribuiu para uma crise interna no Supremo. Segundo reportagem do site Poder360, em uma reunião entre ministros após a entrega do documento, o ministro Luiz Fux chegou a mencionar que Toffoli e Vorcaro teriam apenas “seis minutos de conversa”.
No entanto, o relatório da PF aponta uma série de encontros presenciais e reforça a avaliação de que havia uma relação além do que havia sido admitido.
A tensão aumentou após o vazamento de trechos da reunião em que se deliberou pela saída de Toffoli da relatoria. Ministros passaram a suspeitar que o encontro teria sido gravado, e o nome de Toffoli chegou a ser citado nos bastidores como possível responsável.
R$ 35 MILHÕES E RESORT NA INVESTIGAÇÃO
Outro ponto central do relatório é a menção a repasses de R$ 35 milhões feitos pelo fundo Arleen, ligado a Vorcaro, para a empresa Maridt, na qual Toffoli é sócio com familiares.
A PF destaca que os pagamentos teriam ocorrido anos depois da venda de uma fatia de um resort pela Maridt ao fundo Arleen.
A venda teria sido formalizada em 27 de setembro de 2021, mas os repasses citados no relatório ocorreriam entre 2024 e 2025, segundo mensagens analisadas pela investigação.
Em nota divulgada na semana passada, Toffoli afirmou que não conhece o gestor do fundo Arleen e declarou que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
CASO FOI REDISTRIBUÍDO
Após a saída de Toffoli, os inquéritos do Banco Master no STF foram redistribuídos por sorteio e passaram para o ministro André Mendonça, na última sexta-feira.
O caso segue em investigação.