ANVISA MANTÉM SUSPENSÃO DA YPÊ E CITA “ALTO RISCO SANITÁRIO”; BACTÉRIA FOI ENCONTRADA EM MAIS DE 100 LOTES

Agência acusa falhas graves na fabricação, manda recolher produtos e afirma que medidas da empresa foram “insuficientes”
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da Ypê após identificar falhas graves no processo de produção e risco elevado de contaminação microbiológica.
A decisão atinge detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca com lotes terminados em número 1.
Durante a sessão extraordinária da diretoria colegiada, os diretores da agência afirmaram que as medidas apresentadas pela empresa foram consideradas insuficientes para garantir a segurança dos consumidores.
ANVISA APONTA “HISTÓRICO RECORRENTE” DE CONTAMINAÇÃO
Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após inspeções técnicas identificarem problemas graves em etapas críticas da produção na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.
O diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que existe um “histórico recorrente de contaminação microbiológica” envolvendo produtos da empresa.
A agência também revelou que:
- mais de 100 lotes apresentaram presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa;
- foram identificadas 76 irregularidades durante a vistoria;
- houve falhas em sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária;
- foram encontrados equipamentos com sinais de corrosão;
- havia problemas na conservação de tanques industriais e no armazenamento de resíduos produtivos.
RISCO SANITÁRIO FOI CLASSIFICADO COMO “ALTO”
Durante os votos, os diretores classificaram o risco sanitário como elevado.
A diretora Daniela Marreco afirmou que o caso acabou sendo transformado em uma “discussão polarizada”, mas destacou que a decisão da Anvisa teve caráter técnico e científico voltado à proteção da saúde pública.
Já o diretor Thiago Campos afirmou que esperar “certeza absoluta do dano” em situações sanitárias pode significar agir tarde demais.
EMPRESA TERÁ QUE RECOLHER PRODUTOS
Mesmo mantendo a suspensão, a Anvisa deu prazo para que a Ypê apresente um plano estruturado de recolhimento dos produtos afetados.
A agência informou que o processo será acompanhado tecnicamente e poderá permitir eventual liberação gradual de produtos, lote por lote.
Os consumidores que possuem produtos dos lotes afetados foram orientados a:
- interromper imediatamente o uso;
- procurar o SAC da empresa;
- solicitar informações sobre devolução, troca ou ressarcimento.
BACTÉRIA PREOCUPA, MAS RISCO É MAIOR PARA PESSOAS VULNERÁVEIS
A bactéria encontrada nos produtos é a Pseudomonas aeruginosa, um microrganismo presente no ambiente que pode causar infecções principalmente em pessoas imunossuprimidas, idosos fragilizados, bebês e pacientes com feridas ou dermatites.
Especialistas afirmam que o risco para pessoas saudáveis é considerado baixo, mas recomendam atenção especial em casos de contato com:
- olhos;
- mucosas;
- feridas;
- roupas íntimas;
- objetos usados por bebês ou pessoas vulneráveis.
Médicos também orientam a troca de esponjas de pia utilizadas junto aos produtos afetados.
YPÊ DIZ QUE PRODUTOS SÃO SEGUROS E FALA EM “MEDIDA DESPROPORCIONAL”
A Ypê reagiu à decisão da Anvisa afirmando que considera a medida “arbitrária e desproporcional”.
A empresa afirma que:
- os produtos são seguros;
- não há comprovação de contaminação nos itens comercializados;
- já iniciou mais de 250 ações corretivas;
- pretende investir cerca de R$ 130 milhões em adequações industriais.
A fabricante também informou que mantém diálogo técnico com a Anvisa e tenta reverter a suspensão.
VEJA QUAIS PRODUTOS FORAM AFETADOS
A decisão da Anvisa atinge produtos como:
- detergentes lava-louças Ypê;
- lava-louças concentrados;
- sabões líquidos Tixan Ypê;
- desinfetantes Bak Ypê;
- desinfetantes Atol;
- linhas Ypê Green;
- linhas Clear Care.
A restrição vale especificamente para lotes terminados em número 1.