PF AVANÇAVA SOBRE NEGÓCIOS DE LULINHA ANTES DE TROCA DE DELEGADO NO CASO INSS

Investigação marcou depoimento de empresária ligada ao filho de Lula e aprofundava apurações sobre viagens, pagamentos e negócios com o “Careca do INSS”

Antes da troca do delegado responsável pelo inquérito das fraudes bilionárias no INSS, a Polícia Federal avançava em uma das frentes mais sensíveis da investigação: a relação entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais nomes do esquema. 

A PF já havia marcado para o próximo dia 20 o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, investigada sob suspeita de intermediar pagamentos ao filho do presidente Lula. 

O movimento ocorre justamente após a Polícia Federal retirar o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários — que conduzia o inquérito desde o início — e transferi-lo para outro núcleo especializado em investigações ligadas ao Supremo Tribunal Federal. A mudança provocou reação nos bastidores de Brasília e gerou desconfiança no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. 

PF investigava negócios, viagens e suposta “mesada”

Segundo informações da investigação, delegados passaram a questionar investigados sobre possíveis negócios entre Lulinha e o “Careca do INSS”, incluindo negociações envolvendo cannabis medicinal. 

Um dos focos da apuração é uma viagem feita por Lulinha a Portugal, admitida pela própria defesa do filho do presidente. Segundo os advogados, a viagem foi bancada pelo empresário para prospectar oportunidades na área de cannabis medicinal, mas nenhum negócio teria sido concretizado. 

A Polícia Federal também investiga pagamentos de R$ 1,5 milhão feitos pelo “Careca do INSS” à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Uma das suspeitas levantadas é que parte desse dinheiro pudesse ter sido usada como uma espécie de “mesada” ao filho do presidente. 

Essa informação surgiu após depoimento de um ex-funcionário do empresário, que afirmou ter ouvido relatos sobre pagamentos mensais destinados a Lulinha. 

Defesa nega irregularidades

A defesa de Lulinha afirma que ele não possui qualquer ligação com os desvios investigados no INSS e diz que não existem provas contra ele. Os advogados também ressaltam que o filho do presidente jamais firmou contratos com o “Careca do INSS” e que todas as relações mantidas foram de caráter social e legal. 

Segundo os defensores, as quebras de sigilo bancário realizadas pela PF não encontraram pagamentos diretos feitos pelo empresário ao filho do presidente. Ainda assim, investigadores continuam analisando movimentações financeiras e dados obtidos por meio da quebra de sigilo telemático. 

Troca de comando aumentou tensão em Brasília

A substituição do delegado responsável pelo caso aconteceu justamente quando os depoimentos e diligências começavam a avançar sobre pessoas ligadas ao entorno de Lulinha. 

Apesar da mudança no comando, a Polícia Federal informou que a equipe responsável pela investigação foi mantida e que os depoimentos já agendados continuarão normalmente. 

Mesmo assim, a troca provocou forte repercussão política e alimentou questionamentos da oposição, que cobra explicações sobre o momento da alteração no inquérito.

O caso segue sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.

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