Pentágono coloca BYD, Alibaba e gigantes chinesas na mira por suposta ligação com Exército; China reage e fala em perseguição

Empresas acusadas pelos Estados Unidos de colaborar com as Forças Armadas chinesas negam irregularidades; decisão amplia tensão entre Washington e Pequim. Os Estados Unidos elevaram o tom contra algumas das maiores empresas da China. O Pentágono incluiu gigantes como a montadora BYD, a Alibaba, a Baidu e outras companhias estratégicas em uma lista de empresas consideradas ligadas ao Exército chinês, provocando forte reação do governo de Pequim.
A atualização foi divulgada pelo Departamento de Defesa dos EUA e reforça a classificação de empresas que, segundo Washington, colaboram direta ou indiretamente com o Exército de Libertação Popular da China. A medida amplia a pressão sobre setores considerados estratégicos, como tecnologia, inteligência artificial, semicondutores e veículos elétricos.
Entre os nomes mais conhecidos estão a BYD, líder global na fabricação de carros elétricos, e as gigantes da tecnologia Alibaba e Baidu. A Tencent, dona do aplicativo WeChat e já incluída anteriormente na lista, também permanece sob monitoramento das autoridades americanas.
Embora a inclusão na chamada “lista 1260H” não gere punições automáticas, ela funciona como um alerta para investidores e pode abrir caminho para futuras restrições comerciais, limitações em contratos governamentais e barreiras ao acesso a tecnologias sensíveis.
Mercado reage com cautela
Após o anúncio, as ações da Alibaba chegaram a recuar nas negociações em Hong Kong, enquanto a Baidu reduziu os ganhos registrados durante o pregão. Apesar disso, analistas avaliaram que o impacto imediato foi limitado, já que investidores passaram a considerar esse tipo de disputa como parte do cenário permanente da rivalidade entre Estados Unidos e China.
Especialistas apontam que a decisão tem forte componente geopolítico e faz parte da crescente disputa entre as duas maiores economias do planeta por liderança tecnológica e militar.
China acusa EUA de “repressão econômica”
O governo chinês reagiu duramente à medida. O Ministério das Relações Exteriores da China acusou Washington de utilizar argumentos de segurança nacional para prejudicar empresas chinesas e interferir na concorrência internacional.
Em pronunciamento oficial, o porta-voz Lin Jian afirmou que os Estados Unidos devem interromper o que classificou como “repressão injustificada” contra companhias chinesas e prometeu adotar medidas para proteger os interesses das empresas afetadas.
Empresas negam ligação militar
As empresas citadas pelo Pentágono contestaram as acusações.
A Alibaba declarou que não possui qualquer vínculo com estratégias militares chinesas e afirmou que buscará medidas legais para contestar a classificação. A Baidu também rejeitou as alegações e informou que trabalhará para retirar seu nome da lista.
A BYD, por sua vez, classificou a decisão como equivocada e afirmou que utilizará todos os recursos administrativos e jurídicos disponíveis para defender seus interesses.
Guerra tecnológica continua
A nova ofensiva americana acontece mesmo após recentes encontros diplomáticos entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Especialistas avaliam que, apesar das conversas entre os líderes, a disputa por inteligência artificial, semicondutores e tecnologias avançadas segue como um dos principais focos de tensão entre Washington e Pequim.
Com quase 200 empresas listadas, a nova atualização é considerada uma das maiores já realizadas pelo Pentágono e evidencia que a competição estratégica entre Estados Unidos e China continua longe de um desfecho.





