Governo suspende vacina da dengue do Butantan após mortes sob investigação; entenda o que acontece agora

Ministério da Saúde interrompe temporariamente aplicação do imunizante brasileiro após registro de eventos adversos graves; Anvisa e especialistas vão investigar possíveis causas.
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de eventos adversos graves, incluindo duas mortes que estão sob investigação. A decisão acendeu o alerta entre profissionais de saúde e pessoas que já receberam a vacina, considerada a primeira do mundo aplicada em dose única e totalmente produzida no Brasil.
Segundo a pasta, a medida é preventiva e tem como objetivo permitir uma análise aprofundada dos casos registrados antes da continuidade da campanha de imunização.
De acordo com dados da farmacovigilância, entre janeiro e maio deste ano foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados após a vacinação, o equivalente a 0,7% do total de imunizados. Desses casos, 42 apresentaram sintomas considerados mais graves, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.
Entre os registros, três casos foram classificados como graves, incluindo duas mortes que agora estão sendo investigadas pelas autoridades sanitárias.

O QUE VAI ACONTECER AGORA?
Após anunciar a suspensão, o Ministério da Saúde informou que iniciará uma força-tarefa para rastrear possíveis novos casos relacionados à vacina.
Estados e municípios serão orientados a interromper temporariamente a aplicação das doses, mas deverão manter os imunizantes armazenados nas redes de refrigeração até nova determinação.
Além disso, as secretarias de saúde passarão a realizar uma busca ativa por pacientes que apresentaram sintomas após a vacinação, analisando lote por lote e região por região para identificar possíveis padrões.
Outra medida será o monitoramento reforçado da rede hospitalar para detectar novos casos suspeitos e acelerar as notificações aos órgãos responsáveis.
ANVISA E ESPECIALISTAS ENTRAM NA INVESTIGAÇÃO
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já notificou oficialmente o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para conduzir uma investigação epidemiológica detalhada.
O objetivo é determinar se existe, de fato, uma relação causal entre a vacina e os eventos adversos observados.
Especialistas destacam que a simples ocorrência de um problema de saúde após a vacinação não significa necessariamente que ele tenha sido provocado pelo imunizante.
A infectologista Rosana Richtmann, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia, explicou que a investigação buscará identificar características em comum entre os pacientes afetados.
“Será analisado o perfil de todas as pessoas que apresentaram reações, inclusive as não graves, para verificar se existe algum fator em comum que ajude a explicar os casos”, afirmou.
QUEM JÁ TOMOU A VACINA DEVE SE PREOCUPAR?
O Ministério da Saúde orienta que as pessoas vacinadas recentemente mantenham atenção a possíveis sintomas e procurem uma unidade de saúde caso apresentem sinais como:
- Dor abdominal intensa;
- Vômitos persistentes;
- Sangramentos;
- Febre alta;
- Mal-estar acentuado.
A recomendação é especialmente importante para quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias.
Apesar da suspensão temporária, o governo reforça que ainda não há comprovação científica de que os óbitos tenham sido causados pelo imunizante.
SUSPENSÃO NÃO AFETA A VACINA QDENGA
A medida anunciada pelo Ministério da Saúde não altera a aplicação da Qdenga, vacina desenvolvida pela farmacêutica Takeda e atualmente disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
O imunizante segue sendo aplicado normalmente em todo o país.
Enquanto a investigação avança, o Instituto Butantan ficará responsável por fornecer informações complementares e colaborar com os órgãos reguladores na análise dos casos. A expectativa é que a conclusão dos estudos determine se a vacina poderá voltar a ser utilizada ou se serão necessárias mudanças nos protocolos de segurança.





