đŸ”„ Gilmar Mendes elogia atos da esquerda e Ă© acusado de ativismo polĂ­tico

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, usou as redes sociais neste domingo (21/9) para elogiar as manifestaçÔes contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia, realizadas em todas as capitais do paĂ­s.

Gilmar classificou os atos como â€œprova viva da força do povo brasileiro na defesa da democracia” e defendeu um â€œpacto nacional entre Executivo, Legislativo e JudiciĂĄrio”.

Segundo o ministro, â€œgraças Ă  atuação vigilante do STF e Ă  mobilização da sociedade, o Brasil reafirma que nĂŁo hĂĄ espaço para rupturas ou retrocessos”.

📍 Lula, em viagem a Nova York para a Assembleia da ONU, tambĂ©m celebrou os atos: â€œA população nĂŁo quer impunidade, nem anistia. O Congresso deve se concentrar em medidas que beneficiem o povo brasileiro”.


đŸ’„ Reação internacional

A fala de Gilmar provocou crĂ­ticas. O advogado Martin de Luca, que representa empresas ligadas a Donald Trump, acusou o ministro de ativismo polĂ­tico:

“Um juiz deve encarnar a imparcialidade. Ao celebrar atos orquestrados pelo partido no poder, o senhor transforma o STF em ator polĂ­tico. Isso nĂŁo Ă© independĂȘncia judicial.”

De Luca também questionou o financiamento dos protestos, apontando que:

  • Lula liberou R$ 34,4 bilhĂ”es via Lei Rouanet em dois anos, mais que o dobro de Bolsonaro em quatro anos (~R$ 16 bi).
  • Estatais como Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e BNDES aumentaram em 250% os orçamentos culturais, injetando quase R$ 1 bilhĂŁo em shows e festivais.
  • Muitos dos artistas beneficiados com recursos pĂșblicos foram as principais atraçÔes dos atos.

📊 NĂșmeros das manifestaçÔes

  • 43.400 pessoas na Avenida Paulista, em SĂŁo Paulo (USP).
  • 42 mil em Copacabana, Rio de Janeiro.
  • Atos registrados nas 27 capitais brasileiras e atĂ© em cidades do exterior como Londres, Paris e Berlim.

⚖ CNJ proĂ­be juĂ­zes de apoiar ou criticar polĂ­ticos nas redes; fala de Gilmar Mendes reacende debate

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, na Ășltima terça-feira (17), uma resolução que estabelece parĂąmetros rĂ­gidos para o uso de redes sociais por magistrados. O objetivo, segundo o colegiado, Ă© â€œcompatibilizar o exercĂ­cio da liberdade de expressĂŁo com os deveres inerentes ao cargo” e preservar a confiança da sociedade na imparcialidade do JudiciĂĄrio.

Entre as vedaçÔes, destaca-se a proibição de â€œemitir opiniĂŁo que demonstre atuação em atividade polĂ­tico-partidĂĄria”ou manifestar apoio ou crĂ­tica pĂșblica a candidatos, partidos ou lideranças polĂ­ticas.

A decisĂŁo ganhou ainda mais repercussĂŁo porque ocorreu poucos dias depois de o ministro do STF Gilmar Mendeselogiar, em suas redes sociais, os atos convocados por partidos de esquerda contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia. Mendes classificou as manifestaçÔes como â€œprova viva da força do povo brasileiro na defesa da democracia”e defendeu um pacto entre os Poderes.


📌 O que a resolução do CNJ proíbe aos magistrados:

  • Opinar sobre processos em andamento ou emitir juĂ­zo depreciativo sobre decisĂ”es judiciais.
  • Apoiar ou criticar polĂ­ticos, partidos ou candidatos em redes sociais.
  • Compartilhar discursos de Ăłdio ou discriminatĂłrios, como racismo, misoginia, LGBTfobia ou intolerĂąncia religiosa.
  • Patrocinar postagens ou receber patrocĂ­nio para autopromoção ou vincular a imagem a marcas e produtos.
  • Propagar notĂ­cias falsas ou compartilhar conteĂșdos sem verificar a veracidade.
  • Usar logomarca de ĂłrgĂŁos judiciais em perfis pessoais.

AlĂ©m disso, os juĂ­zes devem evitar autopromoção e superexposição, e precisam zelar pela segurança prĂłpria e de familiares ao usar as plataformas.


đŸŽ™ïž ReaçÔes da magistratura

A presidente da Anamatra, juĂ­za Noemia Garcia Porto, afirmou que o texto final da resolução foi “desidratado” apĂłs pressĂŁo das associaçÔes de classe, que apontaram risco de censura:

“Com juĂ­zes censurados, a democracia fica mesmo em risco. A resolução mostra como Ă© difĂ­cil aceitar dissensos que sĂŁo prĂłprios Ă  democracia, mesmo dentro do JudiciĂĄrio.”


🔎 Contexto: imparcialidade em xeque

A fala recente de Gilmar Mendes acabou alimentando crĂ­ticas de que ministros do STF estariam assumindo posturas polĂ­ticas pĂșblicas, em contraste com o que agora estĂĄ expressamente proibido pelo CNJ.

Especialistas lembram que o artigo 36 da Lei OrgĂąnica da Magistratura Nacional (Loman) jĂĄ restringe atividades polĂ­tico-partidĂĄrias de juĂ­zes. Agora, a resolução do CNJ reforça esses limites no ambiente digital.

O debate se resume a uma questĂŁo central: como conciliar a liberdade de expressĂŁo dos magistrados com a necessidade de imparcialidade e neutralidade polĂ­tica que a função exige?

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