đŸš«đŸ”„Â JUSTIÇA BARRA POSTO DO RECIFE QUE MANDAVA FRENTISTAS TRABALHAREM DE CROPPED E LEGGING: “POTENCIAL ASSÉDIO”, DIZ JUÍZA

A Justiça do Trabalho proibiu um posto de combustĂ­veis de Afogados, na Zona Oeste do Recife, de obrigar frentistas mulheres a trabalharem vestindo legging apertada e cropped. A decisĂŁo, assinada pela 10ÂȘ Vara do Trabalho do Recife, afirma que o uniforme imposto expunha as funcionĂĄrias a constrangimento, vulnerabilidade e risco de assĂ©dio.

A liminar, emitida na sexta (7) e divulgada nesta quarta (12), Ă© dirigida ao Posto Power (FFP ComĂ©rcio de CombustĂ­veis), que agora terĂĄ cinco dias para fornecer uniformes adequados — como calças de corte reto e camisas de comprimento padrĂŁo. Se descumprir, pagarĂĄ multa diĂĄria de R$ 500 por funcionĂĄria.


đŸ‘©â€đŸ­ Como o caso veio Ă  tona?

A denĂșncia foi feita ao Sindicato dos Empregados em Postos de CombustĂ­veis de Pernambuco, inicialmente por falta de recolhimento do FGTS.
Durante o atendimento, a funcionĂĄria revelou sofrer abalo psicolĂłgico por ser obrigada a trabalhar com roupas justas e consideradas inadequadas para a atividade.

Segundo o advogado SĂ©rgio da Silva Pessoa, a imposição começou apĂłs mudança de gestĂŁo, em setembro, e atinge toda a rede, nĂŁo apenas uma unidade.

“É um uniforme que objetifica o corpo feminino. Não há proteção, não há segurança — e há constrangimento”, disse o representante do sindicato.


🚹 Por que o uniforme era ilegal?

AlĂ©m de contrariar a Convenção Coletiva, que garante roupas adequadas e fornecidas pelo empregador, o uniforme violava normas de segurança do MinistĂ©rio do Trabalho, que exigem materiais resistentes ao fogo para trabalhadores expostos a combustĂ­veis.
Legging de elastano, segundo o sindicato, nĂŁo oferece nenhuma proteção tĂ©rmica.

Fotos anexadas ao processo mostram funcionĂĄrias trabalhando com roupas “justas e curtas”. A juĂ­za Ana Isabel Koury destacou que a empresa transformou o uniforme — que deveria ser instrumento de proteção â€” em motivo de exposição e vulnerabilidade.


📾 Imagens, assĂ©dio e demissĂ”es por “padrĂŁo corporal”

O sindicato relata que, mesmo apĂłs a liminar, as funcionĂĄrias continuam usando cropped e legging, o que motivou novas fotografias enviadas ao processo.

HĂĄ relatos ainda de prĂĄticas de body shaming: uma funcionĂĄria obesa teria sido demitida por “nĂŁo se enquadrar no padrĂŁo” imposto pelos gestores.

Uma ação de rescisĂŁo indireta tambĂ©m estĂĄ em andamento para a funcionĂĄria que fez as primeiras denĂșncias.


🏱 O que diz o posto?

Em nota, o Posto Power afirma que:

  • a decisĂŁo “nĂŁo reflete a realidade”;
  • contestarĂĄ a liminar;
  • as fotos apresentadas “nĂŁo mostram funcionĂĄrias” da empresa;
  • mantĂ©m “compromisso com dignidade e valorização” das colaboradoras.

A bandeira Petrobahia, associada ao posto, alegou que as fotos são antigas e que a unidade estå sob nova gestão desde outubro, cumprindo normas de segurança e adotando fardamento adequado.


⚖ E agora?

A empresa Ă© obrigada a substituir o uniforme imediatamente.
Se a decisĂŁo continuar sendo descumprida, novas multas poderĂŁo ser aplicadas e o caso pode evoluir para crimes trabalhistas e indenizaçÔes por danos morais.

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