💥 Contrato da mulher de Moraes com o Master previa lobby no BC, Receita e Congresso e poderia render R$ 129 milhões
MALU GASPAR

O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, previa uma atuação ampla e estratégica da banca em órgãos-chave do Estado: Banco Central, Receita Federal, Cade, Ministério Público, Polícia Federal e Congresso Nacional.
Assinado em 16 de janeiro de 2024, o documento estipulava remuneração de R$ 3,6 milhões por mês, durante 36 meses— um total de R$ 129 milhões caso o acordo fosse cumprido até 2027, ano em que Moraes assumirá a presidência do Supremo.
Com a liquidação do Master em novembro de 2025, os pagamentos foram interrompidos. Mas, se quitados até outubro, como indica o calendário da intervenção, o escritório Barci de Moraes teria recebido R$ 79 milhões. Além de Viviane, dois filhos de Alexandre de Moraes atuam na banca jurídica.
O QUE DIZ O CONTRATO
O documento, apreendido pela PF na Operação Compliance Zero, detalha cinco frentes de atuação, que incluem:
- Defesa judicial e administrativa do Master e de Daniel Vorcaro;
- Interlocução com Banco Central, Receita Federal e PGFN;
- Atuação no Cade em processos concorrenciais;
- Acompanhamento de projetos de lei de interesse do banco no Congresso Nacional.
O GLOBO

A reportagem consultou BC, Receita, PGFN e Cade sobre possíveis interações do escritório em nome do banco — nenhum deles respondeu.
No Cade, Viviane não participou de reuniões sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB, operação hoje interrompida.

TEMOR NOS BASTIDORES
Segundo apuração, o fato de o contrato estar no celular de Vorcaro causou preocupação entre advogados ligados ao caso e ex-executivos do banco. A apreensão do documento acendeu a possibilidade de que:
- outros funcionários tivessem acesso às tratativas,
- consultorias envolvidas em due diligence também tivessem recebido cópias,
- e mais informações sensíveis ainda possam aparecer.
Com a revelação, iniciou-se um rastreamento interno para saber quantas versões do contrato circulavam e onde elas podem ter sido parar.
ATUAÇÃO EM OUTRAS FRENTES
Viviane Barci e outros 10 advogados do escritório, incluindo os filhos do ministro, assinam uma queixa-crime contra o investidor Vladimir Timmerman, em abril de 2024. No processo, Vorcaro acusa o gestor de calúnia por associá-lo a operações fraudulentas envolvendo a Gafisa e o fundo Brazil Realty.
O Master perdeu na primeira e na segunda instâncias, mas ainda recorre.
SILÊNCIO GERAL

A reportagem procurou:
- o escritório Barci de Moraes,
- o Banco Master,
- o ministro Alexandre de Moraes, via assessoria do STF.
Ninguém respondeu. O espaço permanece aberto.