🔴 Caso Master chega ao STF e envolve esposa de Alexandre de Moraes em processo relatado por Toffoli
Escritório de Viviane Barci de Moraes representa o Banco Master em ação remetida ao Supremo; contrato previa até R$ 129 milhões
O GLOBO MALU GASPAR

Uma decisão sigilosa da Justiça Federal de São Paulo levou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um processo que envolve operações suspeitas no mercado financeiro e que tem, entre as partes interessadas, o Banco Master — instituição liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado.
O caso foi distribuído ao ministro Dias Toffoli e revela um novo ponto sensível no escândalo: o Banco Master é representado no processo pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
A informação consta na decisão assinada pela juíza federal Maria Isabel do Prado, no último dia 16, que determinou o envio do processo ao Supremo por identificar conexão com as investigações das fraudes envolvendo o Master, apuradas na Operação Compliance Zero.
⚖️ Contrato milionário e atuação familiar
O escritório Barci de Moraes firmou com o banco de Daniel Vorcaro um contrato que previa honorários de até R$ 129 milhões, com escopo amplo e sem delimitação a um único processo. Além de Viviane, dois filhos do ministro Alexandre de Moraes — Alexandre e Giuliana — também atuam como advogados do Master no caso.
Embora o banco não tenha sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) nesse processo específico, ele figura como terceiro interessado, o que significa que a decisão final pode impactar diretamente seus direitos e interesses jurídicos.
Caso a ação chegue ao plenário do STF, o processo relatado por Toffoli poderá ser apreciado por Alexandre de Moraes, marido da advogada que representa o banco envolvido.
🔎 Conexão com o escândalo do Master
O processo teve origem em investigações sobre insider trading envolvendo os empresários Nelson Tanure e Gilberto Benevides, em operações relacionadas à construtora Gafisa. Segundo o MPF, Tanure teria utilizado fundos, offshores e estruturas financeiras para inflar artificialmente o valor de empresas e ampliar seu poder de controle acionário.
De acordo com a juíza, a denúncia descreve modus operandi semelhante ao investigado no caso do Banco Master, incluindo emissão de títulos suspeitos e operações financeiras com potencial fraude, o que justificaria a reunião das investigações no STF.
Tanure, que teve bens bloqueados por decisão de Toffoli, é apontado pela Polícia Federal e pela Procuradoria como “sócio oculto” do Banco Master — afirmação que ele nega.
📌 Pagamentos tratados como prioridade
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro tratava os pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes como prioridade absoluta, orientando auxiliares a manter os repasses “em qualquer hipótese”, mesmo diante do colapso financeiro da instituição.
A decisão da Justiça Federal também indica que os serviços jurídicos continuaram sendo prestados mesmo após a liquidação do banco, embora o contrato não tenha sido integralmente executado.
🗣️ Defesas e posicionamentos
O escritório Barci de Moraes e Viviane não responderam aos pedidos de comentário. O espaço segue aberto.
Daniel Vorcaro também optou por não se manifestar.
Nelson Tanure, por meio de nota, afirma que nunca foi controlador ou sócio do Banco Master, sustenta que suas operações foram lícitas e diz estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
⚠️ Impacto institucional
A revelação reforça o clima de tensão institucional em torno do caso Master, que já envolve o Banco Central, STF, TCU, Congresso Nacional e CVM, além de pressões por CPI e CPMI para investigar o colapso da instituição financeira.
O episódio reacende o debate sobre conflitos de interesse, transparência e governança no sistema de Justiça, em um momento em que o próprio Supremo discute a adoção de um novo código de conduta para ministros da Corte.