🚨 Carrefour, Casas Bahia e Caoa são alvos de operação sobre fraude bilionária no ICMS em São Paulo

Ministério Público investiga esquema que pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas dentro da Secretaria da Fazenda

Grandes empresas do varejo e do setor automotivo, como Carrefour, Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Center Castilho, foram alvo de uma nova fase da operação do Ministério Público de São Paulo que investiga um esquema bilionário de corrupção na liberação de créditos de ICMS dentro da Secretaria da Fazenda do Estado.

A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (26) e faz parte da Operação Fisco Paralelo, desdobramento da Operação Ícaro, que apura manipulação de créditos tributários, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro envolvendo auditores fiscais e empresas.

Segundo o Ministério Público, o esquema pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas.


🕵️ Auditor é apontado como operador central do esquema

As investigações apontam o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto como o principal operador da organização.

De acordo com o MP, ele atuava como um “coringa” dentro da Secretaria da Fazenda, liberando créditos de ICMS de forma irregular por meio de uma empresa de fachada, facilitando o pagamento de propinas e a lavagem de dinheiro.

Mensagens interceptadas indicam que o auditor prestava uma assessoria tributária criminosa a empresas interessadas em acelerar a liberação de créditos fiscais.


📱 Executiva do Carrefour teria contato direto com auditor

Segundo o Ministério Público, a executiva Luciene Petroni Castro Neves, responsável pela área tributária do Carrefour, manteve contato frequente com o auditor entre julho de 2021 e agosto de 2025.

As conversas, obtidas por meio de interceptações de WhatsApp, mostram orientações sobre:

  • documentos fiscais
  • ressarcimento de ICMS-ST
  • agilização de processos tributários
  • concessão de créditos fora das regras legais

Para os promotores, houve tratamento privilegiado à empresa e possível participação em estrutura de favorecimento mediante pagamento de propina e lavagem de ativos.

A executiva não respondeu aos contatos da reportagem.


🔐 Apps criptografados eram usados para esconder negociações

O MP-SP informou que o grupo utilizava aplicativos com criptografia avançada para dificultar o rastreamento das negociações, como:

  • Wickr
  • Session

Os aplicativos permitem mensagens com visualização única e comunicação criptografada.


🚔 Operação cumpre mandados em várias cidades

A Operação Fisco Paralelo cumpre 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de:

  • São Paulo
  • Campinas
  • Vinhedo
  • São José dos Campos

Os alvos incluem servidores de unidades estratégicas da Secretaria da Fazenda, como delegacias regionais tributárias e a Diretoria de Fiscalização.

Em Campinas, foram apreendidos:

  • quase R$ 22 mil em dinheiro
  • US$ 1.800
  • 95 libras
  • computadores e celulares

🏛️ Secretaria da Fazenda diz que colabora com investigação

Em nota, a Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que atua em conjunto com o Ministério Público por meio da Corregedoria da Fiscalização Tributária.

O órgão afirmou que 33 procedimentos administrativos estão em andamento para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, com possibilidade de sanções e demissões.

A secretaria também declarou que atua de forma integrada no combate à sonegação, lavagem de dinheiro e crimes tributários.


💰 Esquema já havia atingido outras empresas

A investigação é um desdobramento da Operação Ícaro, iniciada em agosto de 2025, que revelou um esquema de pagamento de propinas a auditores fiscais para acelerar a liberação de créditos de ICMS para grandes redes varejistas, como:

  • Ultrafarma
  • Fast Shop

Outras operações recentes também apontaram corrupção no sistema tributário paulista, com apreensão de:

  • US$ 68 mil em espécie
  • R$ 288 mil em dinheiro
  • R$ 1,8 milhão em bitcoins
  • total de R$ 2,4 milhões em ativos apreendidos

⚖️ Empresas não se manifestaram

Até a publicação da reportagem:

  • Carrefour não respondeu ao contato
  • Kalunga, Casas Bahia e Caoa não se manifestaram
  • defesa do auditor não respondeu
  • representantes da Center Castilho não foram localizados

O Ministério Público afirma que o objetivo da nova fase da operação é coletar provas e aprofundar a investigação sobre a rede de corrupção dentro do fisco paulista.

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