đ âDENĂNCIA REVELA: COMANDO VERMELHO USAVA MĂTODOS DE TORTURA COMO âBANHEIRA DE GELOâ E âARRASTĂO COM CARROâ

DENĂNCIA DO MINISTĂRIO PĂBLICO EXPĂE ROTINA DE CRUELDADE NAS FAVELAS DO RIO
Uma denĂșncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do MinistĂ©rio PĂșblico do Rio de Janeiro (MPRJ), revelou detalhes estarrecedores sobre os mĂ©todos de tortura aplicados por integrantes do Comando Vermelho (CV). As prĂĄticas incluem agressĂ”es brutais, arrastos com carro e banhos de gelo aplicados contra rivais e atĂ© moradores de comunidades controladas pela facção.
O documento serviu de base para a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 121 mortos e revelou a estrutura militar e hierårquica do grupo criminoso.
â ïž âTRIBUNAIS DO TRĂFICOâ E PUNIĂĂES COMANDADAS POR BMW
Segundo o MinistĂ©rio PĂșblico, Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, conhecido como BMW, Ă© um dos principais chefes do CV na zona oeste e comanda o grupo de matadores chamado Equipe Sombra. Ele teria autonomia para aplicar puniçÔes, determinar execuçÔes e conduzir os chamados âtribunais do trĂĄficoâ.
Em uma das imagens anexadas Ă denĂșncia, uma mulher aparece mergulhada em uma banheira de gelo, com a legenda:
âBrigona que gosta de arrumar confusĂŁo no baile. Melhor forma de punir sem bater em morador.â
Outra gravação mostra um homem amordaçado e algemado sendo arrastado por um carro, enquanto Ă© humilhado e implora por perdĂŁo. Segundo o MP, BMW âfaz piada do sofrimento alheioâ e ordena que a tortura continue atĂ© o desmaio da vĂtima.
Em outro momento, BMW realiza chamada de vĂdeo com Carlos Costa Neves, o Gardenal, mostrando o homem sendo arrastado e exigindo que ele âse justifique com o chefeâ.
đŽ O PASSADO SANGRENTO DE BMW
BMW jĂĄ havia sido citado em outra investigação: o assassinato de trĂȘs mĂ©dicos na Barra da Tijuca, em 2023. As vĂtimas foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras. O MinistĂ©rio PĂșblico afirma que o prĂłprio CV mandou executar os autores do erro, mas poupou BMW por nĂŁo ter participado diretamente da ação.
đ A âMASSAGEMâ DE BAFO E A CRUELDADE SEM LIMITES
Outro nome citado na denĂșncia Ă© Fagner Campos Marinho, o Bafo, descrito como âsoldado do trĂĄficoâ. Ele foi flagrado espancando uma vĂtima amarrada e parcialmente nua, enquanto filmava a cena e ironizava o sofrimento da pessoa, dizendo:
âDei uma massagem nela⊠quer morrer logo?â
De acordo com o relatĂłrio, Bafo usava as torturas como forma de castigo pessoal e intimidação coletiva, reforçando o domĂnio da facção no Complexo da Penha.
O MP descreve as imagens como âde crueldade extremaâ, revelando um padrĂŁo de violĂȘncia que substitui a lei do Estado pela justiça do trĂĄfico.
đ§© FACĂĂO COM HIERARQUIA MILITAR E DIVISĂO DE TAREFAS
A investigação também mostra que o Comando Vermelho opera com estrutura corporativa, dividida em cargos e funçÔes:
- âGeneral de guerraâ â responsĂĄvel por organizar ataques a rivais;
- âJuiz do trĂĄficoâ â decide puniçÔes e execuçÔes;
- âEspecialista em propinasâ â encarregado de pagar subornos a policiais e servidores.
Mensagens interceptadas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) indicam que a facção montou um sistema de poder paralelo que se estende por diversas favelas do Rio e recebe reforço de criminosos de outros estados.
đ§ ANĂLISE
A denĂșncia do MP confirma o que as forças de segurança jĂĄ apontavam: o CV nĂŁo Ă© apenas uma organização de trĂĄfico de drogas, mas uma mĂĄquina de poder e intimidação social.
Com tribunais prĂłprios, execuçÔes filmadas e castigos pĂșblicos, a facção age como um Estado dentro do Estado, impondo medo e controle absoluto sobre comunidades inteiras.
đš AS DESCOBERTAS DO MINISTĂRIO PĂBLICO SOBRE O COMANDO VERMELHO
đŽ 1ïžâŁ TORTURAS E âTRIBUNAIS DO TRĂFICOâ
O GAECO/MPRJ revelou um sistema de puniçÔes dentro das comunidades dominadas pelo CV, conhecido como âtribunal do trĂĄficoâ, onde moradores e comparsas sĂŁo âjulgadosâ e punidos com extrema violĂȘncia.
đž As provas incluem vĂdeos e fotos de sessĂ”es de tortura comandadas por lĂderes da facção.
đ§ MĂ©todos de punição identificados:
- Mulher submersa em banheira de gelo como castigo.
- Homem amarrado e arrastado por um carro, enquanto implora por perdĂŁo.
- âMassagemâ: tortura fĂsica brutal aplicada por um dos soldados da facção.
- ExecuçÔes filmadas e transmitidas em chamadas de vĂdeo entre traficantes.
𩞠2ïžâŁ CHEFES DA TORTURA: BMW E BAFO
đ€ Juan Breno Malta Ramos Rodrigues (BMW)
- Gerente do trĂĄfico na GardĂȘnia Azul.
- LĂder do grupo de matadores âEquipe Sombraâ.
- Participava diretamente das puniçÔes e ordenava execuçÔes.
- Mantinha comunicação com outros chefes via videochamadas durante os castigos.
- Debochava das vĂtimas, chamando de âcastigo pedagĂłgicoâ.
đ€ Fagner Campos Marinho (Bafo)
- Soldado do trĂĄfico na Penha.
- Filmou tortura de uma vĂtima ensanguentada, amarrada e sem roupas.
- Nas gravaçÔes, diz ter âdado uma massagemâ e pergunta:âQuer morrer logo?â
- O MP classifica sua conduta como âcrueldade extrema e desumanaâ.
âïž 3ïžâŁ ESTRUTURA HIERĂRQUICA E ORGANIZAĂĂO MILITAR
As mensagens interceptadas pela Delegacia de RepressĂŁo a Entorpecentes (DRE) revelam que o Comando Vermelho opera com hierarquia rĂgida, dividida por funçÔes especĂficas:
đ Cargos identificados:
- đȘ General de guerra â planeja ataques e defesas da facção.
- âïž Juiz do trĂĄfico â comanda os âtribunaisâ e decide puniçÔes.
- đ” Especialista em propinas â responsĂĄvel por pagar subornos a policiais.
- đ§± Gerente de territĂłrio â administra o trĂĄfico local e as finanças.
đ± As trocas de mensagens mostram ainda o uso de sistemas de comunicação cifrada, pagamentos eletrĂŽnicos e ordens de execução Ă distĂąncia.
đ 4ïžâŁ O DOMĂNIO TERRITORIAL E O CONTROLE PELO MEDO
Segundo o MP, o CV exerce poder absoluto sobre comunidades do Complexo da Penha, AlemĂŁo e GardĂȘnia Azul, impondo regras prĂłprias e toques de recolher.
- Moradores são obrigados a seguir determinaçÔes da facção.
- Qualquer ato considerado âdesrespeitoâ Ă© punido com tortura ou morte.
- As puniçÔes sĂŁo usadas para intimidar a população e garantir silĂȘncio.
𧱠A facção mantém postos de vigilùncia armada perto de escolas e igrejas, com cùmeras e sensores de movimento, segundo o relatório.
đ° 5ïžâŁ O NEGĂCIO DO CRIME
O MP identificou um sistema de arrecadação milionårio sustentado pelo tråfico de drogas e por taxas cobradas de comerciantes e moradores.
đž Parte do dinheiro Ă© usada para comprar fuzis e financiar propina.
đ A âEquipe Sombraâ atua na expansĂŁo do CV para ĂĄreas dominadas por milĂcias â especialmente na zona oeste do Rio.
đ”ïž 6ïžâŁ LIGAĂĂES COM OUTROS ESTADOS
A investigação confirma que o CV carioca mantém ligaçÔes interestaduais.
- Criminosos de Pernambuco, Bahia, Parå e Amazonas foram identificados na operação.
- O CV se expandiu para o Nordeste e utiliza o Complexo do AlemĂŁo como entreposto de drogas e armas.
â°ïž 7ïžâŁ A MEGAOPERAĂĂO E SUAS CONSEQUĂNCIAS
A operação deflagrada pela polĂcia e pelo MP teve:
- đč 121 mortos, sendo 4 policiais;
- đč 133 presos, entre eles 33 de outros estados;
- đč ApreensĂŁo de armamento pesado, drogas e equipamentos de espionagem.
As imagens e conversas interceptadas confirmam que o CV atua como um exĂ©rcito paralelo, com comando, hierarquia e regras prĂłprias de âjustiçaâ.
đ§š 8ïžâŁ CONCLUSĂO DO MPRJ
O relatĂłrio do MinistĂ©rio PĂșblico afirma:
âO Comando Vermelho estabeleceu um regime de dominação social e territorial em que o medo substitui a lei e o castigo Ă© instrumento de poder.â
đ§ O MP recomenda reforço de investigaçÔes conjuntas entre estados e enquadramento penal mais severo para crimes de facção â o que reacende o debate no Congresso sobre equiparar facçÔes a organizaçÔes terroristas.