📌 PF APONTA SUPERFATURAMENTO DE ATÉ 35 VEZES EM LIVROS VENDIDOS POR EMPRESA LIGADA À EX-NORA DE LULA

A Polícia Federal identificou que uma empresa investigada por fraude em licitações no interior de São Paulo revendeu livros didáticos a prefeituras por valores até 35 vezes superiores ao preço pago pelo próprio fornecedor. A companhia, a Life Tecnologia Educacional, é ligada a Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, apontada pelos investigadores como figura-chave para destravar recursos no Ministério da Educação (MEC) e em administrações municipais.
Livros comprados por R$ 2,56 e revendidos por R$ 41,50
Segundo a PF, um dos títulos analisados foi adquirido por R$ 2,56 a unidade, mas repassado a uma prefeitura por R$ 41,50. Em outros casos, livros custaram entre R$ 1 e R$ 5, mas foram revendidos por valores que chegavam a R$ 80.
A investigação destaca que, em alguns contratos, a empresa só comprava os livros depois de ter fechado a venda superfaturada com as prefeituras — o que, segundo os agentes, desmonta qualquer alegação de custo operacional elevado.
“O sobrepreço praticado é evidente, alcançando até 35 vezes o valor de aquisição”, afirma o relatório da PF.
Planilhas da Receita Federal reforçam que, apenas com a venda de livros e kits de robótica, a empresa obteve R$ 111 milhões de quatro prefeituras.
A análise contábil indica que a Life recebeu R$ 86 milhões e gastou R$ 32 milhões com mercadorias, o que sinaliza um lucro de pelo menos R$ 50 milhões — sem considerar eventuais serviços ou logística, considerados “pouco expressivos” pelos investigadores.
Papel da ex-nora de Lula
A PF afirma que Carla Ariane Trindade atuava “na defesa dos interesses da empresa junto a órgãos públicos”, especialmente no MEC. Viagens dela a Brasília foram pagas por André Mariano, dono da Life e apontado como líder do esquema.
Carla foi casada por 20 anos com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia, adotado por Lula.
A investigação mostra ainda que Carla aparecia nos contatos de Mariano identificada como “nora”, reforçando — segundo a PF — a estratégia da empresa de usar sua proximidade com o núcleo familiar de Lula como forma de influência política.
Filho de Lula abriu a porta para a PF
A operação deflagrada na quarta-feira (12) levou agentes da PF à casa de Carla em Paulínia (SP), às 6h da manhã. O mandado de busca e apreensão foi recebido não por ela, mas pelo próprio Marcos Cláudio, filho de Lula.
No imóvel, segundo o relatório policial, estavam:
- Carla Ariane
- Marcos Cláudio
- o filho do casal
- os pais de Carla, Henrique e Lindalva
Foram apreendidos:
- passaporte,
- celular,
- computador
- e um caderno de anotações.
“Café”: o código da propina
Mensagens de André Mariano revelam que ele utilizava o termo “café” como palavra-chave para se referir a pagamento de propina. A expressão aparece 104 vezes entre 2021 e 2024.
Segundo a PF, parte do dinheiro público superfaturado retornava ao empresário por meio de empresas de fachada e doleiros, que repassavam os valores em espécie para servidores e intermediários — entre eles, figuras consideradas “influentes na política local e nacional”.