🔥 Bolsonaro diz ter tido “surto” e negou fuga em audiência de custódia; juíza mantém prisão

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, durante audiência de custódia neste domingo (23), que tentou abrir a tornozeleira eletrônica por causa de um “surto” provocado por medicamentos psiquiátricos. Ele negou qualquer intenção de fuga.
A prisão preventiva foi mantida.
Segundo a ata registrada pela juíza auxiliar Luciana Yuki Sorrentino, Bolsonaro declarou ter tido “paranoia” e “alucinação” durante a madrugada, acreditando que havia uma “escuta” no equipamento. Ele disse que estava tomando pregabalina e sertralina, prescritas por médicos diferentes, e que os remédios teriam interagido de forma inadequada.
O ex-presidente relatou que usou um ferro de solda para abrir a tampa da tornozeleira na sexta (21) e só parou por volta da meia-noite, quando teria “caído na razão” e comunicado às equipes de fiscalização.
❗ Tentativa após convocação de vigília por Flávio
Horas antes da violação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou uma vigília religiosa em frente ao condomínio onde o pai cumpria prisão domiciliar. Para o ministro Alexandre de Moraes, a manifestação poderia criar tumulto e facilitar fuga, o que levou à conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva.
Bolsonaro argumentou que o ato ocorreria a cerca de 700 metros de sua casa e negou tentativa de evasão. Ele também afirmou que estava com a filha, o irmão e um assessor — e que ninguém percebeu o episódio.
🏛️ Prisão segue até decisão do STF
A audiência terminou por volta de 12h40. A juíza manteve a prisão por entender que a PF cumpriu os procedimentos legais.
Nesta segunda (24), a Primeira Turma do STF decidirá se confirma ou revoga a decisão de Moraes. Votam Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O relator, Moraes, não vota.
Se o colegiado mantiver a decisão, a prisão preventiva segue por tempo indeterminado, com revisões a cada 90 dias.
⚖️ Condenação por tentativa de golpe
Bolsonaro já foi condenado a 27 anos e 3 meses por liderar a trama golpista após a derrota de 2022, mas a prisão atual não é pelo mérito da condenação — os recursos ainda estão em fase final.
Caso o trânsito em julgado seja confirmado, ele deverá iniciar o cumprimento em regime fechado.
👁️ Visita de Michelle Bolsonaro
No fim da tarde deste domingo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro visitou o marido na Superintendência da PF, em Brasília. A Justiça autorizou visitas entre 15h e 17h.
Veja a íntegra do que foi dito pelo ex-presidente na audiência de custódia:
Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma “certa paranoia” de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (Pregabalina e Sertralina); que tem o sono “picado” e não dorme direito resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem curso de operação desse tipo de equipamento.
Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois “caindo na razão” e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia; O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite. Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação. O depoente afirmou que estava com “alucinação” de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião. O depoente afirmou que passou a tomar um dos remédios cerca de 4 (quatro) dias antes dos fatos que levaram à sua prisão.
Na sequência, dada a palavra ao Dr. Joaquim Cabral, pela Procuradoria-Geral da República, foi dito que, ante a manifestação do senhor JAIR MESSIAS BOLSONARO no que tange à higidez do comportamento dos policiais que cumpriram o mandado de prisão, manifestava-se a Procuradoria-Geral da República pela regularidade, nesse aspecto, da custódia cautelar.
Pela Juíza Auxiliar foi dito: Dada a palavra, em seguida, aos advogados regularmente constituídos do custodiado JAIR MESSIAS BOLSONARO, foi pergunta ao depoente se tinha intuito de tirar tornozeleira para empreender fuga. O depoente afirmou que não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta.
Afirmou, ainda, que havia rompido anteriormente a cinta em uma ocasião em que precisou realizar uma tomografia. Sobre a vigília convocada por seu filho, afirmou o depoente que o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga.
Pela Juíza Auxiliar foi dito: Indagado acerca de quais médicos teriam receitados os medicamentos mencionados pelo depoente, cuja interação poderia ter causado a “paranoia” que o levou a “mexer” com a tornozeleira, informou que se chamam Cláudio Birolini, Leandro Chenique e Marina Graziottin Pasolini, está última prescrevendo a Sertralina, sem se comunicar com os demais médicos.
Pela Juíza Auxiliar foi dito: Indagado se já tinha o equipamento de solda em casa ou se foi fornecido por terceira pessoa, afirmou o depoente que tinha o equipamento em casa.
Ao final, pela Juíza Auxiliar foi deliberado: Diante de todo o exposto, inexistindo requerimentos que reclamem decisão por parte desta Juíza Auxiliar, e tendo-se em vista os relatos do custodiado JAIR MESSIAS BOLSONARO na presente audiência, no sentido de não ter havido qualquer abuso ou irregularidade por parte dos policiais responsáveis pelo cumprimento do Mandado de Prisão expedido nos autos desta Pet 14.129/DF, bem como considerando o cumprimento das formalidades legais e regulamentares, em especial os termos da Resolução CNJ nº 213, de 15 de dezembro de 2015, HOMOLOGO o cumprimento do Mandado de Prisão, relegando a análise das questões relacionadas ao mérito da causa a Sua Excelência, o Ministro Relator.