“PAGOU, PASSOU”: DELEGADO TERIA FINANCIADO FRAUDE PARA ESPOSA PASSAR EM CONCURSO E SURGE ESQUEMA MILIONÁRIO

Delegado Diogo Gonçalves Bem e sua esposa, Lariça Saraiva Amando Alencar

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema milionário de fraudes em concursos públicos que atingiu cargos de alto nível em todo o país e teria contado com a participação de um delegado da Polícia Civil de Pernambuco e sua esposa. Segundo a PF, Diogo Gonçalves Bem pagou uma quadrilha para garantir que sua esposa, Lariça Saraiva Amando Alencar, ficasse em primeiro lugar no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para cargo de auditora-fiscal do trabalho no Ministério do Trabalho.

O esquema envolvia propina, pontos eletrônicos, candidatos “fantasmas” e acesso antecipado a gabaritos, com valores que podiam chegar a R$ 500 mil, dependendo do cargo. A fraude foi revelada a partir da delação premiada de Thyago José de Andrade e sua companheira Laís Giselly, que detalharam como o grupo operava e confirmaram o suposto financiamento do delegado para beneficiar a esposa.

Chama atenção que Lariça obteve notas altíssimas na primeira fase, mas desempenho significativamente menor no curso de formação, reforçando as suspeitas de fraude, segundo a PF. O esquema também teria envolvido professores e funcionários de órgãos públicos, prisões já foram cumpridas em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, e há indícios de participação de altos cargos da Polícia Civil de Alagoas, incluindo o delegado-geral Gustavo Xavier do Nascimento, que teria se beneficiado do esquema junto de parentes.

A PF aponta que o grupo atuava em concursos federais, tribunais e bancos, usando métodos sofisticados para burlar sistemas de segurança das bancas examinadoras. A Fundação Cesgranrio, responsável pelo CNU, disse que também foi vítima e que mantém tecnologia de monitoramento para proteger a integridade dos concursos.

Enquanto isso, as defesas negam envolvimento, e o caso segue sob investigação. Um verdadeiro exemplo de como o mérito em alguns concursos pode depender mais do tamanho da carteira do que do conhecimento do candidato.

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