Inflação dispara para 0,88% em março após guerra no Irã e pressiona combustíveis e alimentos

IPCA sobe para 4,14% em 12 meses e impacto do petróleo preocupa mercado e Banco Central

A inflação brasileira acelerou para 0,88% em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10). O resultado representa a maior taxa para o mês desde 2022 e ocorre no primeiro mês após o início do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Com o avanço, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses subiu de 3,81% em fevereiro para 4,14% em março, superando as projeções do mercado, que esperava inflação abaixo de 4%.

Combustíveis e alimentos puxam alta

De acordo com o IBGE, os principais responsáveis pela aceleração da inflação foram os grupos Transportes e Alimentação e bebidas, que juntos responderam por cerca de 76% do índice de março.

O setor de transportes registrou alta de 1,64%, impulsionado principalmente pelo aumento dos combustíveis:

  • Gasolina: +4,59%
  • Óleo diesel: +13,90%
  • Etanol: +0,93%

A gasolina foi o item com maior impacto individual no índice, contribuindo com 0,23 ponto percentual.

As passagens aéreas também subiram 6,08%, mantendo a pressão sobre os custos de transporte.

Já o grupo Alimentação e bebidas avançou 1,56%, reforçando o impacto direto no bolso da população.

Guerra no Oriente Médio pressiona economia

O aumento da inflação ocorre em meio à elevação do preço do petróleo no mercado internacional, após tensões no Oriente Médio e impactos no estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Segundo analistas, o cenário elevou a incerteza econômica e frustrou as expectativas de queda mais rápida da inflação no Brasil.

Banco Central monitora cenário

Banco Central afirmou que há 30% de probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta de 3%, cuja tolerância vai até 4,5%.

A autoridade monetária avalia que o prolongamento do conflito pode ter impacto significativo e duradouro na economia, com risco de aumento da inflação e desaceleração da atividade econômica.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que é necessário tempo para avaliar os efeitos da guerra na economia antes de definir novos passos da política monetária.

Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, após redução recente, e o Comitê de Política Monetária indicou que as próximas decisões dependerão da evolução do cenário internacional.

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