🚨 De quatro toneladas de cocaína no mar a celulares e cripto: operação que levou à prisão de MCs e influenciadores teve origem internacional

Uma investigação da Polícia Federal que começou com a apreensão de mais de 4 toneladas de cocaína no exterior acabou resultando na prisão de artistas, influenciadores digitais e empresários suspeitos de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e apostas ilegais.

Entre os presos estão os MCs Poze do Rodo e Ryan SP, o influenciador e empresário Chrys Dias e sua esposa, além de Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. Ao todo, a operação cumpriu 84 ordens judiciais em oito estados e no Distrito Federal, com pelo menos 33 prisões efetivadas até o fim do dia.

Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em operações financeiras consideradas suspeitas, usando empresas de fachada, apostas, rifas digitais e criptomoedas para ocultar a origem dos recursos.

Da Europa ao Brasil: como a investigação começou

O caso teve início em 2023, após a apreensão de um veleiro com mais de 4 toneladas de cocaína interceptado pela Marinha dos Estados Unidos entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias.

A operação internacional deu origem a uma investigação que atingiu uma rede ligada ao tráfico marítimo de drogas e lavagem de dinheiro, envolvendo empresas de fachada, embarcações e criptoativos.

A partir da análise de um celular apreendido de um empresário do setor contábil, os investigadores avançaram para uma estrutura financeira complexa, com conexões entre tráfico internacional, apostas ilegais e movimentações milionárias.

“Caixa-preta” e rede de empresas suspeitas

Segundo a PF, o acesso a dados em nuvem do investigado foi decisivo para mapear o esquema. O material foi descrito como uma “caixa-preta” da organização.

As investigações apontam a criação de dezenas de empresas registradas em nome de terceiros, muitas sem sede real, usadas para circular recursos. Parte dessas estruturas operava a partir de um mesmo coworking.

Também foram identificadas movimentações com criptoativos e transferências fracionadas, estratégia conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Influenciadores, música e apostas ilegais

De acordo com a PF, artistas e influenciadores teriam sido usados para dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado, por meio de contratos de publicidade, produtoras e empresas de entretenimento.

O delegado responsável afirmou que a visibilidade dos envolvidos ajudava a “disfarçar” o fluxo financeiro e reduzir alertas de sistemas de controle bancário.

Entre os citados na investigação está MC Ryan SP, apontado como um dos beneficiários econômicos do esquema, além de MC Poze do Rodo, preso em sua residência no Rio de Janeiro.

Prisões, bens bloqueados e itens de luxo

Durante a operação, foram apreendidos carros de luxo, joias, relógios de alto valor, dinheiro em espécie, armas e equipamentos eletrônicos. Entre os itens encontrados estavam veículos como Porsche, BMW e Land Rover, além de um colar com referência ao narcotraficante Pablo Escobar.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e criptoativos, que pode chegar a R$ 1,63 bilhão.

Investigações seguem em andamento

Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A PF afirma que a operação ainda está em fase de análise de material apreendido e não descarta novos desdobramentos.

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