Direita parte para cima de Moraes após suspensão da Lei da Dosimetria e oposição volta a pressionar por anistia do 8 de Janeiro

Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema elevaram o tom contra Alexandre de Moraes após decisão do STF barrar efeitos da nova lei.

A suspensão da chamada Lei da Dosimetria pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma nova escalada na tensão entre lideranças da direita e o ministro Alexandre de Moraes. Presidenciáveis e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificaram os ataques ao magistrado e articulam no Congresso uma ofensiva para retomar o debate sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) criticaram publicamente Moraes após o ministro suspender os efeitos da lei aprovada pelo Congresso, que poderia beneficiar investigados e condenados pelos atos golpistas, incluindo o próprio Bolsonaro.

A decisão do STF ocorreu no sábado, após uma condenada pelos ataques de 8 de Janeiro pedir redução de pena com base na nova legislação. Moraes suspendeu a aplicação da norma alegando necessidade de “segurança jurídica” até análise definitiva do plenário da Corte.

A medida irritou parlamentares e aliados bolsonaristas, que passaram a acusar o ministro de interferir nas decisões do Legislativo.

Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão do Congresso foi derrubada “numa canetada monocrática”.

— Mais uma vez, o ministro do Supremo revoga a decisão de nós, os verdadeiros representantes do povo — declarou o senador.

Romeu Zema também endureceu o discurso e afirmou que Moraes “atropela o Congresso” e age como alguém que “se considera intocável”.

Já Ronaldo Caiado classificou como “deplorável” a atuação do ministro e disse que a suspensão da lei fere a separação entre os Poderes.

Nos bastidores, líderes da oposição avaliam que a decisão do STF abriu espaço para retomar com força a pauta da anistia ampla aos envolvidos no 8 de Janeiro. Parlamentares discutem uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para conceder anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados.

A articulação é vista como uma tentativa de reacender a mobilização da base bolsonarista em meio à pré-campanha presidencial de 2026.

Do outro lado, partidos da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva comemoraram a decisão de Moraes. A federação formada por PT, PCdoB e PV acionou o STF para questionar a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, alegando que a norma representa um retrocesso no combate a crimes contra a democracia.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a lei poderia beneficiar criminosos condenados por atos graves e enfraquecer a punição aos envolvidos na tentativa de golpe.

A discussão deve continuar dominando o cenário político e jurídico nos próximos meses, especialmente porque o julgamento definitivo da lei pelo plenário do STF ainda não tem data marcada.


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