Depoimento à PF coloca Lulinha em viagens de negócios com o “Careca do INSS” em Portugal

Ex-marqueteira do PT afirma que filho do presidente participou de visitas a fábricas ao lado do lobista investigado por suspeita de operar esquema bilionário de fraudes no INSS.

A publicitária Danielle Miranda Fonteles, ex-marqueteira do PT, afirmou em depoimento à Polícia Federal que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, participou de viagens e visitas técnicas em Portugal ao lado do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, apontado pelos investigadores como peça central do esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas.

Segundo o relato prestado à PF, Lulinha acompanhou visitas a instalações industriais e projetos empresariais ligados à produção de medicamentos à base de cannabis em território português. De acordo com Danielle, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva participava dos encontros como convidado de Camilo Antunes.

A publicitária afirmou, no entanto, que Lulinha mantinha uma postura discreta durante as agendas e não participava diretamente das negociações comerciais.

“Ele não costumava conversar muito e não tinha atuação efetiva nas tratativas”, relatou Danielle aos investigadores.

O depoimento passou a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal no inquérito que investiga o esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estimado em cerca de R$ 4 bilhões.

Suspeita de influência política

Investigadores apuram se a proximidade com o filho do presidente teria sido utilizada por Camilo Antunes para facilitar o acesso a autoridades e agentes públicos no Brasil e em Portugal.

A suspeita ganhou força após declarações de um ex-executivo ligado ao grupo empresarial do lobista. Em depoimento anterior, ele afirmou que Lulinha teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil oriundos do esquema investigado. A acusação é alvo de apuração e ainda não foi comprovada pelas autoridades.

Projeto de cannabis em Portugal

Danielle Fonteles relatou que se mudou para Portugal em 2019, onde passou a atuar na gestão e estruturação de negócios de empresários brasileiros interessados em investir na Europa.

Foi nesse período que conheceu Camilo Antunes, então envolvido em projetos voltados ao mercado farmacêutico e interessado na implantação de uma fábrica para produção de medicamentos derivados de cannabis.

Segundo ela, foi contratada para prestar consultoria ao empreendimento, recebendo remuneração mensal de 4 mil euros. A publicitária negou aos investigadores qualquer participação societária nos negócios do empresário.

Transferências milionárias

O nome de Danielle passou a ser investigado após a identificação de transferências que somam cerca de R$ 5 milhões realizadas por uma empresa ligada a Camilo Antunes.

Em depoimento, ela alegou que os valores não possuem relação com as fraudes investigadas e corresponderiam ao pagamento parcelado de uma negociação imobiliária firmada com o empresário.

Histórico de investigações

Danielle Fonteles já havia sido alvo de apurações na Operação Acrônimo, investigação da Polícia Federal que analisou suspeitas de contratos fictícios e repasses de empreiteiras para financiamento de campanhas eleitorais ligadas ao PT.

Na época, ela comandava a agência Pepper Comunicação Interativa, que atuava em campanhas políticas e projetos de comunicação institucional.

As investigações sobre o esquema de descontos indevidos no INSS continuam em andamento e buscam esclarecer a participação de empresários, associações e eventuais intermediários que possam ter atuado na estrutura investigada pela Polícia Federal.

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