Banco Master pagou R$ 80,2 milhões a escritório da mulher de Alexandre de Moraes em 22 meses, apontam documentos enviados à CPI

Pagamentos foram declarados à Receita Federal; escritório de Viviane Barci afirma que dados são incorretos e vazados ilegalmente

Documentos enviados à CPI do Crime Organizado no Senado indicam que o Banco Master realizou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

As informações constam na declaração de Imposto de Renda da instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro, que foi liquidada pelo Banco Central. Os dados foram antecipados pelo portal G1 e confirmados pelo Estadão.

Segundo os documentos, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia recebeu 22 pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões, totalizando R$ 80,2 milhões no período de 22 meses.

Escritório contesta informações

Em nota, o escritório de Viviane Barci afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.

Os valores, no entanto, constam nos documentos fiscais declarados pelo próprio banco à Receita Federal e encaminhados à CPI do Crime Organizado, que investiga as atividades da instituição.

O contrato entre o Banco Master e o escritório foi firmado no início de 2024 e previa pagamentos mensais por três anos, conforme revelado anteriormente pelo jornal O Globo.

Voos e relação com o banqueiro

Documentos da CPI, da Aeronáutica e de empresas de táxi aéreo também apontam que Alexandre de Moraes e Viviane Barci utilizaram aeronaves particulares de empresa ligada a Daniel Vorcaro em pelo menos oito viagens entre maio e outubro de 2025.

Registros indicam ainda um voo de Brasília para São Paulo em agosto de 2025, realizado em aeronave de empresa da qual Vorcaro era sócio. Segundo mensagens atribuídas ao banqueiro, teria ocorrido uma reunião no dia seguinte à viagem.

Em nota, o escritório informou que contrata diversos serviços de táxi aéreo, incluindo a empresa Prime Aviation, e que os valores dos voos eram compensados dentro dos honorários advocatícios previstos em contrato.

O gabinete do ministro Alexandre de Moraes declarou que ele “jamais viajou em avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, sem comentar diretamente sobre aeronaves de empresas ligadas ao banqueiro.

Patrimônio imobiliário

Reportagem do Estadão também aponta que, desde que Alexandre de Moraes assumiu uma cadeira no STF, em 2017, o patrimônio imobiliário do casal teria aumentado 266%.

Atualmente, Moraes e Viviane Barci possuem 17 imóveis avaliados em cerca de R$ 31,5 milhões, com aquisições realizadas principalmente em Brasília e São Paulo, segundo registros de cartório obtidos pela reportagem.

Investigações

O caso é analisado no âmbito da CPI do Crime Organizado, que investiga as operações do Banco Master e a relação da instituição com contratos e pagamentos realizados a terceiros.

Até o momento, Alexandre de Moraes e Viviane Barci não se manifestaram diretamente sobre todos os pontos levantados nas reportagens.

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