BOMBA: MENDONÇA TEM NAS MÃOS AS DUAS DELAÇÕES QUE PODEM SACUDIR OS TRÊS PODERES

Ministro do STF é relator dos casos Master e INSS — e não vai aceitar meia-verdade de ninguém
O Brasil pode estar a menos de dois meses de uma das explosões políticas mais devastadoras de sua história recente. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, acumula a relatoria dos dois inquéritos mais quentes do país: o do Banco Master, que envolve fraudes financeiras bilionárias e conexões com ministros do próprio STF, e o do INSS, que apura um esquema de descontos ilegais com ramificações que chegam perto do Palácio do Planalto.
Em ambos os casos, há delações premiadas em andamento. E Mendonça já deixou o recado: ou o delator fala tudo, ou não tem acordo.
O BANQUEIRO QUE PODE DESTRUIR REPUTAÇÕES
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, assinou em 19 de março um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal — o primeiro passo formal para uma delação premiada. Preso na Superintendência da PF em Brasília desde aquela mesma data, o ex-banqueiro carrega informações que, segundo investigadores, têm potencial para atingir autoridades do Executivo, do Legislativo e do próprio Judiciário.
Mendonça assumiu a relatoria do caso Master em 12 de fevereiro, no lugar do ministro Dias Toffoli — cuja saída foi acertada em reunião com todos os dez integrantes da Corte, após revelações sobre possíveis vínculos com o próprio Vorcaro.
O processo de delação funciona assim: a partir do acordo de confidencialidade, defesa, PF e PGR mantêm sigilo absoluto sobre os relatos preliminares. Vorcaro deverá responder a todos os questionamentos e apresentar provas que corroborem sua versão. A expectativa é que essa fase dure entre 30 e 60 dias. Após os depoimentos, a PGR avalia se há indícios suficientes para prosseguir — e, caso sim, encaminha o pedido de homologação ao gabinete de Mendonça. Só após a assinatura do relator a delação passa a valer de fato.
A fonte consultada pela reportagem foi direta: é zero a chance de Mendonça aceitar uma delação seletiva. Quem quiser benefícios terá que entregar tudo.

O MOMENTO POLÍTICO NÃO É COINCIDÊNCIA
O efeito dessas delações deve começar a ser sentido no segundo semestre de 2026 — exatamente no período mais quente do calendário eleitoral. Não é um detalhe menor. Nomes que surgirem nos depoimentos carregarão esse peso nas urnas.
A expectativa é que Vorcaro responda sobre suas relações com autoridades do Judiciário, do mundo político e de órgãos reguladores. Mas há um limite: só será investigado o que configurar crime. Relações de proximidade, investimentos em empresas e contratos de advocacia só viram problema se houver indícios concretos de corrupção ou advocacia administrativa.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, autorizada por Mendonça em 4 de março, resultou na prisão preventiva de Vorcaro. A 2ª Turma do STF referendou a decisão por unanimidade — mas o decano Gilmar Mendes, ao votar pela manutenção da prisão, aproveitou para criticar o colega. Em seu voto, Gilmar alertou que “o apelo a conceitos porosos e elásticos para a decretação de prisões preventivas recomenda um olhar crítico” — uma referência direta às justificativas de Mendonça — e evocou os abusos da Lava-Jato como contraponto.
E O INSS? TEM MAIS BOMBA CHEGANDO
Além do caso Master, pelo menos duas ou três delações estão em andamento no inquérito das fraudes no INSS — e também são relatadas por Mendonça. Um dos pontos ainda sem resposta é se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, teve algum envolvimento com o esquema.
Em dezembro de 2025, o Poder360 revelou que Lulinha recebeu uma mesada do operador conhecido como Careca do INSS. O detalhe que chamou atenção foi o vazamento de sua movimentação bancária: quase R$ 20 milhões em quatro anos. O assunto segue sem explicação oficial.
O QUE ESTÁ EM JOGO
Um único ministro do STF nunca havia concentrado, ao mesmo tempo, duas investigações com esse alcance. O caso Master pode expor ministros do próprio tribunal que julgará a delação. O caso INSS pode chegar à família do presidente da República. E o homem que decide o que avança e o que para é André Mendonça — o mesmo que disse, publicamente, que o papel de um bom juiz não é ser estrela.
O Brasil vai descobrir se ele acredita no que disse.
Com informações do Poder360