Chacina de Poção: Justiça condena mandante a 142 anos por matar conselheiros tutelares e idosa em disputa por guarda

Terminou na madrugada deste sábado (7) o julgamento de Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha e José Vicente Pereira Cardoso da Silva, acusados de encomendar e articular a Chacina de Poção, crime que chocou Pernambuco em 2015 e terminou com quatro mortostrês conselheiros tutelares e uma idosa, executados a tiros.

O júri aconteceu na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Recife, e durou três dias, após ter começado na quarta-feira (4). Apesar do crime ter ocorrido em Poção, no Agreste, o julgamento foi realizado na capital por causa do desaforamento — quando o processo é transferido para garantir a imparcialidade dos jurados.

Ao final do julgamento, os dois réus foram condenados por quatro homicídios qualificados e por atuação em grupo de extermínio.

Segundo a acusação, o crime foi encomendado por Bernadete, avó paterna de uma criança, no contexto de uma disputa pela guarda da menina. Já José Vicente, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde, foi apontado como o articulador responsável por contratar os executores.

Na emboscada, a criança — que tinha 3 anos na época — também foi atingida, mas sobreviveu.

QUEM FORAM AS VÍTIMAS

As vítimas da chacina foram:

  • José Daniel Farias Monteiro, conselheiro tutelar;
  • Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, conselheiro tutelar;
  • Carmem Lúcia da Silva, conselheira tutelar;
  • Ana Rita Venâncio, avó materna da criança.

A menina foi a única sobrevivente.

COMO A CHACINA ACONTECEU

A chacina ocorreu na noite de 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, em Poção. As vítimas estavam em um carro quando foram surpreendidas em uma emboscada e executadas a tiros.

De acordo com a investigação, o veículo foi interceptado e os criminosos dispararam várias vezes contra os ocupantes. Os quatro morreram ainda no local.

As vítimas voltavam da casa da avó paterna, Bernadete, com a criança, em um contexto em que a guarda era dividida entre as famílias. Durante a semana, a menina ficava com o pai e a avó paterna; nos fins de semana, com os avós maternos.

PENA REDUZIDA POR IDADE

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informou que a pena de José Vicente foi reduzida pela metade por causa da idade, já que ele tem mais de 70 anos. A defesa do réu apresentou recurso ainda durante a sessão do júri.

Durante o julgamento, foram ouvidos o delegado responsável pelo caso, testemunhas de defesa e os próprios réus. Na sexta-feira (6), acusação e defesa apresentaram os debates finais, com réplica e tréplica.

OUTROS ENVOLVIDOS JÁ CONDENADOS

Ao todo, sete pessoas foram acusadas de participação na chacina.

Em dezembro de 2025, três réus já haviam sido julgados e condenados. Antes disso, em 2024Wellington Silvestre dos Santos, preso no Maranhão mais de um ano após o crime, foi condenado a 74 anos de prisão.

O julgamento de Leandro José da Silva, que seria realizado junto com Bernadete e José Vicente, foi adiado a pedido da defesa. Uma nova data ainda será definida.

OUTRA INVESTIGAÇÃO

Bernadete também chegou a ser investigada por possível envolvimento no envenenamento da própria nora, Jucy Venâncio de Britto Siqueira, mãe da criança que sobreviveu à chacina.

O pai da menina, José Cláudio de Britto Siqueira Filho, chegou a ser preso, mas não foi indiciado. A investigação aponta que ele teria sido envolvido no caso pela própria mãe, sem ter conhecimento do crime.

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