CHACINA DE POÇÃO: TRIBUNAL CONDENA RÉUS A 101 ANOS EM UM DOS CRIMES MAIS CHOCANTES DE PERNAMBUCO

A Justiça de Pernambuco condenou, na madrugada desta quinta-feira (11), três acusados de participação na Chacina de Poção — crime que chocou o estado em 2015, quando três conselheiros tutelares e uma idosa foram executados durante uma disputa pela guarda de uma criança de 3 anos, que também ficou ferida, mas sobreviveu.

Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), dois réus receberam penas de 101 anos e 4 meses de prisão por homicídio qualificado, enquanto um terceiro foi condenado a 12 anos e 6 meses por homicídio simples. O julgamento, que durou mais de 12 horas, aconteceu no Fórum Desembargador Thomaz de Aquino Cyrillo Wanderley, no Recife, após desaforamento para garantir imparcialidade.

O júri popular foi formado por quatro mulheres e três homens, sob presidência da juíza Maria Segunda Gomes. O delegado Erick Lessa, responsável pela investigação à época, foi ouvido e respondeu a questionamentos de acusação e defesa.

➤ Entenda o caso

A chacina ocorreu em 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, em Poção, Agreste do estado. O carro do Conselho Tutelar transportava três conselheiros — Carmem Lúcia da Silva (38)José Daniel Farias Monteiro (31) e Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos (54) — além da idosa Ana Rita Venâncio (62), avó materna da criança.

Eles haviam acabado de deixar a casa de Bernadete de Lourdes Brito Siqueira Rocha, avó paterna da menina, quando foram emboscados. Todos os adultos morreram no local após cinco disparos. A criança ficou ferida.

As famílias disputavam judicialmente a guarda da menina — motivação que, segundo a acusação, levou Bernadete a mandar matar a nora e, depois, organizar a execução dos conselheiros e da avó materna.

➤ Mandantes e executores

A investigação apontou:

  • Bernadete de Lourdes, avó paterna, como mandante do crime;
  • O advogado José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da penitenciária de Arcoverde, como responsável por contratar os executores;
  • O pai da criança, José Cláudio de Britto Siqueira Filho, chegou a ser preso, mas não foi indiciado — a polícia concluiu que ele havia sido envolvido pela própria mãe sem saber do plano.

Bernadete também é investigada por suspeita de envenenar a própria nora, Jucy Venâncio de Britto Siqueira, mãe da criança sobrevivente.

➤ Quem ainda será julgado

Sete pessoas foram denunciadas em 2015. Até agora:

  • Wellington Silvestre dos Santos já havia sido condenado, em 2024, a 74 anos de prisão;
  • Três réus tiveram o júri adiado para 3 de fevereiro de 2026:
    • Bernadete alegou que sua advogada está em licença-maternidade;
    • José Vicente, que faz autodefesa, informou não ter condições de saúde para participar;
    • Leandro José perdeu a defesa após renúncia do advogado.

A Justiça concedeu cinco dias para que eles apresentem novos representantes legais.

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