CPI do Crime Organizado quer ouvir mulher de Moraes e apura contrato de R$ 129 milhões com o Master

Relator da CPI do Crime Organizado pede depoimento da mulher de Moraes e cita suspeita de lavagem no Master
O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou dois requerimentos pedindo a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes — para prestar depoimento ao colegiado.
Nos documentos, apresentados na segunda-feira (2), o senador afirma haver “fundadas suspeitas” de que o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados possa ter sido utilizado como instrumento de lavagem de dinheiro.
Além do depoimento, Vieira solicita a quebra dos sigilos bancários da empresa.
O contrato, segundo o relator, teria valor estimado em aproximadamente R$ 129 milhões ao final da prestação de serviços. O parlamentar sustenta que existe uma desconexão entre o montante previsto e os serviços descritos, o que, na avaliação dele, poderia indicar a tentativa de dar aparência de legalidade a repasses ilícitos.
Em trecho do requerimento, o senador afirma que os valores devidos ao escritório não configurariam “mera receita operacional” de uma instituição financeira regular, mas sim “produto direto” de lavagem de dinheiro.
Vieira também menciona as investigações da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de que o Banco Master teria sido capitalizado por meio de fraudes e recursos ligados ao tráfico de drogas. O relator diz ainda que o pagamento do contrato teria sido tratado como “prioridade absoluta” pelo fundador do banco, Daniel Vorcaro, o que, segundo ele, levanta suspeitas de tráfico de influência e exploração de prestígio.
Para que os requerimentos avancem, será necessária aprovação da maioria dos integrantes da CPI. A primeira reunião do colegiado está marcada para o dia 11 de fevereiro.
O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes prevê, entre outros pontos, acompanhamento estratégico de temas relacionados ao Executivo — incluindo órgãos como o Banco Central — além de monitoramento no Judiciário e no Legislativo, com atenção a projetos de lei de interesse do banco.
Até o momento, não há informações públicas sobre quanto do contrato foi efetivamente pago, quais serviços foram executados ou quais entregas teriam sido realizadas ao longo do período.