CRISE NO STF: FACHIN DIZ QUE INVESTIGAÇÃO SOBRE BANCO MASTER VAI “ATÉ O FIM”, MESMO COM CITAÇÃO DE MINISTROS

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nos bastidores da Corte que a investigação sobre o caso do Banco Master será levada até as últimas consequências, mesmo diante de menções a integrantes do próprio tribunal.
Segundo relatos de fontes do STF, Fachin teria dito que não pretende “baixar a guarda” nas apurações e que o processo será analisado “doa a quem doer”, com o objetivo de preservar a credibilidade da instituição.
A declaração ocorre em meio à crise provocada por informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que citariam ministros da Suprema Corte.
REUNIÃO NO STF
Na noite de segunda-feira, Fachin se reuniu com o relator do caso no Supremo, o ministro André Mendonça, para discutir as referências feitas nos dados obtidos nas investigações.
Entre os nomes mencionados estariam os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
A reunião ocorreu em meio ao aumento da pressão política e institucional sobre o Supremo após a divulgação de detalhes do caso.
“NADA SERÁ VARRIDO PARA DEBAIXO DO TAPETE”
Durante encontro com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil e dirigentes das 27 seccionais da entidade, Fachin reforçou que pretende levar a investigação até o fim.
Segundo participantes da reunião, o presidente do STF afirmou que “nada será colocado debaixo do tapete” no andamento do processo.
A posição foi interpretada como um recado interno de que a Corte não pretende evitar o aprofundamento das apurações.
CÓDIGO DE CONDUTA
Fachin também voltou a defender a criação de um código de conduta para ministros dos tribunais superiores, com regras mais claras sobre ética e possíveis conflitos de interesse.
A proposta prevê um conjunto de diretrizes voltadas à atuação dos magistrados fora das atividades judiciais.
O presidente do Supremo pretende apresentar publicamente o documento nas próximas semanas.
Segundo interlocutores da Corte, a iniciativa também está relacionada à discussão sobre a participação de ministros em atividades privadas.
SAÍDA DE TOFFOLI DO CASO
Nos bastidores, o tema do código de conduta teria sido um dos fatores que levaram Fachin a defender a saída de Dias Toffoli da análise do processo.
A medida foi interpretada como uma tentativa de reduzir questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
TENTATIVA DE CONTER A CRISE
A movimentação ocorre em meio a uma crise institucional que atinge o Supremo após as revelações envolvendo o Banco Master.
Na abertura do ano do Judiciário, Fachin fez um discurso considerado duro dentro da Corte.
Na ocasião, ele afirmou que o STF precisava promover uma “autocorreção” e recuperar o equilíbrio institucional.
A fala foi interpretada como um reconhecimento de que a Corte enfrenta desgaste na opinião pública.
TEMA DIVIDE O SUPREMO
O debate sobre regras de conduta para ministros, no entanto, divide o tribunal.
Durante sessão plenária, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a magistratura já é uma das carreiras públicas com maior número de restrições legais.
Segundo ele, não existe outra função no serviço público com tantas vedações quanto a de juiz.
Já Dias Toffoli também demonstrou resistência à criação de um novo código de conduta e chegou a defender a possibilidade de magistrados participarem de empresas.
Por sua vez, o decano do STF, Gilmar Mendes, afirmou que não se opõe à iniciativa, mas disse não ver necessidade imediata de novas diretrizes.