Gigantes dos combustíveis rejeitam programa de Lula e ficam fora de subsídio ao diesel

As maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil decidiram ficar fora da primeira fase do programa federal de subvenção ao diesel criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conter a alta dos preços provocada pela guerra no Irã.

O prazo de adesão ao programa, que oferecia subsídio para vendas realizadas em março, terminou sem a participação das três gigantes do setor — Vibra, Ipiranga e Raízen — responsáveis por cerca de metade das importações privadas de diesel no país.

Segundo fontes do mercado, a decisão foi motivada por incertezas nas regras do programa, insegurança jurídica e críticas aos preços máximos definidos pelo governo para a venda do combustível. O valor estipulado para o diesel importado variava entre R$ 5,28 e R$ 5,51 por litro, enquanto o preço internacional superava R$ 6 durante o período, tornando a operação pouco viável para as empresas.

Sem aderir ao subsídio de R$ 0,32 por litro, as distribuidoras optaram por vender o diesel a preços de mercado internacional. A Petrobras, que domina o fornecimento nacional e respondeu por 77% das vendas em 2025, participou do programa.

O governo negocia agora uma ampliação da subvenção, com desconto adicional de até R$ 1,20 por litro, o que pode tornar o programa mais atrativo para o setor. Distribuidoras de médio porte, como Royal FIC, Sul Plata Trading, Petro Energia e Midas, já aderiram à iniciativa.

Especialistas avaliam que a ausência das grandes distribuidoras reduz o impacto da medida, já que o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome e os preços nas bombas já subiram 24% desde o início do conflito no Oriente Médio.

Empresas do setor também demonstram cautela devido a experiências anteriores com subsídios, como o programa de 2018, cujos pagamentos ainda são questionados na Justiça. Além disso, há preocupação com operações do governo e órgãos de fiscalização contra repasses de aumento de custos ao consumidor.

A expectativa agora é que as grandes distribuidoras reavaliem a decisão na segunda fase do programa, prevista para abril, especialmente se houver mudanças nas regras e maior participação dos estados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *