Governo Lula registra déficit de R$ 30,1 bilhões em fevereiro e rombo chega a R$ 60,4 bilhões em 12 meses

O governo federal registrou déficit primário de R$ 30,1 bilhões em fevereiro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Tesouro Nacional. No acumulado de 12 meses, o rombo nas contas públicas chegou a R$ 60,4 bilhões, o equivalente a 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar do resultado negativo, o déficit mensal foi 8,4% menor que o registrado em fevereiro de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 32,8 bilhões.

Resultado das contas públicas

O governo central — formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — apresentou os seguintes números em fevereiro:

  • Déficit total: R$ 30,1 bilhões
  • Receita líquida: R$ 157,7 bilhões (alta de 5,6%)
  • Despesa total: R$ 187,8 bilhões (alta de 3,1%)
  • Rombo em 12 meses: R$ 60,4 bilhões

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o governo registrou superávit primário de R$ 57,5 bilhões, o segundo maior da série histórica iniciada em 1997, atrás apenas de 2022.

Meta fiscal abaixo do esperado

A meta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para 2026 é alcançar superávit de R$ 34,3 bilhões. No entanto, a equipe econômica projeta um resultado positivo de apenas R$ 3,5 bilhões, valor bem inferior ao objetivo inicial.

Sem deduções autorizadas pela regra fiscal — como precatórios, gastos estratégicos de defesa e despesas temporárias com saúde e educação — o rombo poderia chegar a R$ 59,8 bilhões no ano.

O atual arcabouço fiscal, aprovado no Congresso e que substituiu o teto de gastos criado no governo Michel Temer, prevê metas anuais de resultado primário e limites para crescimento das despesas.

Inicialmente, a meta para 2026 era de superávit de 1% do PIB, mas foi reduzida para 0,25% do PIB, sendo que a projeção atual está no piso da meta.

Previdência segue pressionando as contas

Entre os principais fatores do déficit estão os gastos com Previdência e despesas com pessoal.

  • Previdência Social: déficit de R$ 22,4 bilhões
  • Tesouro Nacional: déficit de R$ 7,6 bilhões
  • Banco Central: déficit de R$ 13 milhões

Os benefícios previdenciários subiram de R$ 80 bilhões para R$ 81,8 bilhões, enquanto os gastos com pessoal e encargos sociais aumentaram de R$ 30,6 bilhões para R$ 32,8 bilhões.

Receita cresce com aumento do IOF

A arrecadação administrada pela Receita Federal também aumentou.

  • Receita total: R$ 138,6 bilhões
  • Crescimento: R$ 5,5 bilhões
  • 42% do aumento veio do IOF

A arrecadação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) subiu de R$ 6,45 bilhões para R$ 8,7 bilhões após mudanças nas alíquotas.

Histórico recente

O governo federal registrou déficit nas contas públicas em 2023, 2024 e 2025, e tenta equilibrar o orçamento com o novo arcabouço fiscal e aumento de arrecadação.

O desafio da equipe econômica é cumprir a meta fiscal e reduzir o rombo nas contas públicas nos próximos anos.

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