HOTEL 5 ESTRELAS: Diretor de Presídio Faturou R$ 3,3 Milhões Vendendo Regalias Para Presos

Esquema incluía celulares, bebidas, prostitutas e até churrasco com boi inteiro – incompatibilidade de 2.600% com salário oficial

O que deveria ser uma instituição de punição e ressocialização virou um verdadeiro “hotel de luxo” para criminosos dispostos a pagar caro por conforto. A Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, no Sertão pernambucano, abrigava o mais sofisticado esquema de corrupção já descoberto no sistema prisional do estado.

O Império Milionário Atrás das Grades

Alessandro Barbosa Martins de Sousa, diretor da unidade, transformou sua posição em uma máquina de fazer dinheiro. Em apenas três anos, ele e a esposa Ana Paula Lopes Bezerra movimentaram impressionantes R$ 3,3 milhões – uma quantia 2.600% superior à renda oficial do casal, que declara ganhar apenas R$ 12.385 por mês.

Operação Publicanos, deflagrada pela Polícia Civil na semana passada, revelou detalhes chocantes de como funcionava esta “empresa familiar” da corrupção.

Menu VIP da Cadeia

O esquema funcionava como um verdadeiro catálogo de serviços premium para detentos com poder aquisitivo:

🏨 Pacote Básico de Sobrevivência:

  • Celulares: Entrada facilitada mediante pagamento
  • Bebidas alcoólicas: Disponíveis para “relaxar”
  • Mudança de pavilhão: Para fugir de desafetos ou conseguir melhor localização

👑 Pacote Executivo:

  • Cargo de “chaveiro”: R$ 10 mil a R$ 20 mil (assistente de segurança dos agentes)
  • Cargo de “cantineiro”: R$ 10 mil a R$ 20 mil (responsável pelas cantinas)
  • Mesada mensal: R$ 3,5 mil (chaveiro) ou R$ 4 mil (cantineiro)

💎 Pacote Premium:

  • Aluguel de cantinas: Negócio rentável dentro da prisão
  • Saídas ilegais: Para resolver “negócios externos”
  • Alteração de rotas: Para presos com tornozeleira eletrônica
  • Eletrodomésticos: TVs, geladeiras e outros confortos

Banquetes e Orgias na Prisão

O caso ganhou repercussão nacional quando vídeos vazaram mostrando a dimensão surreal do esquema. Presos entraram com um boi inteiro para fazer churrasco, enquanto prostitutas circulavam livremente pelos pavilhões como se estivessem em um clube privado.

A unidade, que deveria abrigar criminosos cumprindo pena, havia se tornado um verdadeiro complexo de entretenimento adulto financiado pelos próprios detentos.

Lavagem Sofisticada de Dinheiro

A investigação revelou um método refinado para ocultar os ganhos ilícitos:

Fragmentação de depósitos: Foram 271 depósitos em espécie, a maioria abaixo de R$ 2.000, totalizando R$ 315.600 – estratégia para não chamar atenção dos órgãos de controle.

Conta de passagem: O policial penal Vinicius Diego Sousa Colares, assessor direto de Alessandro, funcionava como “tesoureiro” do esquema, movimentando R$ 3,6 milhões enquanto declarava renda mensal de apenas R$ 7.888.

Compras estratégicas: Vinicius adquiriu 28 aparelhos celulares de marcas diversas, gastando R$ 108 mil, além de eletrodomésticos, TVs e até remédios para disfunção erétil destinados aos presos.

A Estrutura Empresarial do Crime

O esquema funcionava como uma verdadeira empresa criminal com hierarquia bem definida:

🔺 Alessandro (CEO): Coordenava todo o esquema e tomava as decisões estratégicas

🔸 Vinicius Diego (CFO): Controlava as finanças e recebia pagamentos via PIX dos detentos

🔸 Ronildo Barbosa (COO): Facilitava a entrada de produtos proibidos como segunda maior autoridade funcional

🔹 Chaveiros e Cantineiros (Gerentes): Coletavam propinas dos demais presos e repassavam para a administração

Números que Chocam

Movimentação total do grupo: Quase R$ 6,3 milhões entre 2017 e 2023 Incompatibilidade: Renda declarada 26 vezes menor que movimentação real Estrutura: 8 pavilhões com 16 cargos de liderança vendidos aos presos Gastos em cartão: R$ 472 mil em seis anos só nas compras de Vinicius

O Preço da Vida de Rei

Para os presos, valia a pena pagar caro pelo conforto. Com mensalidades que chegavam a R$ 4 mil, muitos criminosos preferiam investir em sua “qualidade de vida” carcerária a tentar sair do sistema.

A investigação aponta que a penitenciária havia se tornado mais atrativa que muitos hotéis da região, oferecendo serviços que iam muito além do que a lei permite.

Defesa Alega Vida Modesta

Em nota oficial, a defesa dos acusados alega que “os valores apontados não condizem com a realidade financeira dos envolvidos, que vivem de forma modesta, com bens financiados” e que a investigação foi “baseada em delações anônimas e conjecturas sem provas”.

No entanto, os R$ 3,3 milhões movimentados em três anos equivalem a mais de 20 anos de salário do diretor, considerando sua renda oficial.

Impactos na Segurança Pública

O esquema não representava apenas corrupção administrativa, mas um risco real à sociedade:

  • Saídas ilegais permitiam que criminosos cometessem novos crimes
  • Alteração de rotas de tornozeleira facilitava fugas
  • Entrada de celulares mantinha detentos conectados a organizações criminosas externas
  • Estrutura de poder paralela criava hierarquia criminosa dentro da prisão

Próximos Passos

Todos os agentes públicos envolvidos foram afastados de suas funções enquanto a investigação prossegue. A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização afirmou que “não compactua com quaisquer atos ilícitos” e está colaborando com as investigações.

O caso representa um marco na descoberta de esquemas de corrupção no sistema prisional brasileiro, revelando como a falta de fiscalização pode transformar presídios em verdadeiros centros de negócios criminosos.

A Operação Publicanos expõe não apenas a corrupção individual de alguns agentes, mas um sistema inteiro que falhou em sua missão básica: manter criminosos afastados da sociedade enquanto cumprem suas penas.

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