PF PRENDE DANIEL VORCARO NOVAMENTE: MENDONÇA AUTORIZA NOVA FASE DA OPERAÇÃO QUE INVESTIGA AMEAÇAS E LAVAGEM

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira o banqueiro Daniel Vorcaro, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atual relator do caso na Corte.
Além de Vorcaro, a PF cumpre outros três mandados de prisão preventiva — entre os alvos está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro — e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, segundo a corporação.
De acordo com a Polícia Federal, a nova etapa da operação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente praticados por organização criminosa. As investigações contam com apoio do Banco Central.
MENSAGENS EMBASARAM PRISÃO
A decisão de Mendonça foi baseada em mensagens encontradas no celular do banqueiro. Segundo a PF, Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, no qual teriam sido discutidas ações contra pessoas consideradas adversárias — inclusive jornalistas.
Em um dos diálogos, conforme a investigação, teria havido autorização para simular um assalto contra uma das vítimas, com a prática de atos de violência. A PF afirma ainda que policiais aposentados teriam sido utilizados para monitoramento de desafetos.
Entre os investigados estão um policial civil aposentado e outros integrantes do grupo apontado como responsável por executar as ações discutidas nas mensagens.
CASO FOI PARA O STF
O processo chegou ao Supremo após decisão do ministro Dias Toffoli, que retirou o caso da primeira instância a pedido da defesa. Toffoli deixou a relatoria no mês passado, após o envio de relatório da PF à presidência da Corte com menções ao seu nome. Ele foi sucedido por Mendonça, que autorizou a operação desta quarta-feira.
SEGUNDA PRISÃO
Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, no Aeroporto de Guarulhos, quando embarcaria para Dubai. Na ocasião, alegou que viajaria para tratar da venda do Banco Master a investidores estrangeiros. Onze dias depois, foi solto por decisão da desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, que substituiu a prisão por medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte.
DEFESA
A reportagem tenta contato com o advogado Pierpaolo Bottini, que atua na defesa de Vorcaro. O espaço segue aberto para manifestação.