STF EM CRISE: MINISTROS DISCUTEM IMPEDIMENTO DE TOFFOLI NO CASO MASTER QUE PODE PRENDER VORCARO

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para mais um capítulo da crise provocada pelo caso Master. Ministros avaliam como “positiva” a possibilidade de Dias Toffoli se declarar impedido de participar do julgamento da Segunda Turma sobre a nova fase da Operação Compliance Zero, que pode confirmar a prisão de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Embora não exista impedimento técnico, magistrados consultados de forma reservada acreditam que a declaração de suspeição ajudaria a preservar a imagem da Corte e a reputação do próprio ministro. Toffoli já havia deixado a relatoria do inquérito em fevereiro, após semanas de desgaste institucional, mas com nota de apoio da Corte. Com a relatoria redistribuída a André Mendonça, o caso retornará agora ao plenário virtual da Segunda Turma a partir do dia 13 de março.
A Segunda Turma é formada por cinco ministros: Dias Toffoli, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux e Gilmar Mendes, presidente do colegiado. Caso Toffoli se declare impedido, o julgamento corre risco de empate, favorecendo o réu, conforme regras do STF.
O histórico do caso Master revela que Toffoli era sócio da empresa que vendeu participação em um resort, mas afirmou não ter recebido qualquer valor de Vorcaro nem manter amizade com o banqueiro. Por isso, tecnicamente, não há impedimento para sua participação. A decisão de Fachin de arquivar ação de suspeição contra Toffoli reforça essa posição.
A nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo STF, mira um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, envolvendo gestão irregular de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a Polícia Federal, recursos teriam sido movimentados em ativos de alto risco e operações estruturadas para ocultar prejuízos, com interlocução suspeita junto a servidores públicos.
A operação já teve três fases. A primeira, em novembro de 2025, investigou venda de carteiras de crédito sem lastro. A segunda, em janeiro de 2026, ampliou o foco ao uso de fundos ligados à gestora Reag para circulação de recursos e aquisição de ativos problemáticos. A terceira fase, agora autorizada pelo STF, inclui prisões e medidas cautelares contra novos investigados, incluindo Vorcaro.
Nos bastidores, ministros apontam que a decisão de Toffoli sobre eventual impedimento será decisiva para encerrar o capítulo mais controverso do caso Master no STF, que já provocou uma das maiores crises institucionais da Corte nos últimos anos.