Toffoli usou jatinho de empresa ligada a dono do Banco Master para ir a resort, apontam documentos

Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) indicam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, utilizou em 2025 um avião da Prime Aviation, empresa que tinha como sócio o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para viajar a São Paulo e seguir para o resort Tayayá.
Segundo os registros, Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília no dia 4 de julho de 2025, às 10h, e, dez minutos depois, um avião da Prime Aviation, prefixo PR-SAD, decolou com destino a Marília (SP), cidade natal do ministro. No mesmo dia, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, frequentado pelo magistrado.
A viagem ocorre no contexto de investigações envolvendo o Banco Master. Reportagem anterior revelou que empresas da família Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos ligada ao banco, o que levou o ministro a deixar a relatoria do caso no STF em fevereiro deste ano.
Toffoli também foi sócio do Tayayá até 2024, por meio da empresa Maridt Participações, enquanto Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro, participava do empreendimento por meio do fundo Arleen.
Dez voos em jatinho em 2025
Dados da Anac mostram que Toffoli entrou dez vezes no terminal executivo do aeroporto de Brasília ao longo de 2025, local utilizado principalmente por aeronaves particulares. Em pelo menos seis ocasiões, o cruzamento com dados do Decea indica voos realizados em aviões pertencentes a empresários.
Além da Prime Aviation, registros apontam viagens em aeronaves ligadas à Petras Participações, empresa do atual dono do Tayayá, Paulo Humberto Barbosa, e também em avião do empresário Luiz Pastore, amigo do ministro.
Em uma dessas viagens, Toffoli teria voado para São Paulo em abril de 2025 em aeronave da empresa Ibrame, de Pastore. No ano anterior, o ministro já havia utilizado o mesmo avião para assistir à final da Copa Libertadores em Lima, no Peru, acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende um executivo do Banco Master.
Moraes também aparece em registros
O levantamento aponta ainda que o ministro Alexandre de Moraes também utilizou jatos executivos de empresas ligadas a Vorcaro. Registros indicam que ele e sua esposa foram sete vezes ao terminal executivo de Brasília em horários próximos a voos de aeronaves da Prime Aviation.
Silêncio dos envolvidos
Procurado, Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem.
A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou.
A Prime Aviation informou que não divulga dados sobre usuários de aeronaves por questões de confidencialidade e respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Outros empresários citados também não responderam aos pedidos de comentário.