Vorcaro corre contra o tempo para fechar delação e proteger fortuna bilionária do Banco Master

Ex-CEO teme perda de mais de R$ 10 bilhões espalhados em fundos e aposta na colaboração premiada para reduzir pena e preservar patrimônio
A pressa de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, em fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) tem uma razão direta: proteger uma fortuna bilionária espalhada em fundos de investimento no Brasil e no exterior.
Preso desde o início de março, o ex-banqueiro tenta acelerar as negociações e pretende concluir o acordo em até 60 dias. Investigadores, porém, consideram o prazo otimista e avaliam que a colaboração deve levar mais tempo para ser formalizada.
Medo de perder bilhões espalhados em fundos
Segundo fontes ligadas ao caso, Vorcaro teme que parte significativa do dinheiro distribuído em uma rede complexa de fundos desapareça antes da assinatura da delação.
Mesmo após a liquidação do Banco Master, ele ainda teria mais de R$ 10 bilhões pulverizados em gestoras e estruturas financeiras fora do conglomerado.
O receio é que, com ele e aliados sem acesso aos recursos, gestores, investidores e credores passem a esvaziar os fundos gradualmente.
A própria estrutura financeira teria sido criada para dificultar o rastreamento do dinheiro e esconder os beneficiários finais, o que agora aumenta o risco de perda do patrimônio.
Delação pode garantir bloqueio do dinheiro
Com a colaboração premiada, Vorcaro indicaria às autoridades onde estão os recursos, permitindo o bloqueio judicial dos valores.
Na prática, seria a forma mais segura de usar o dinheiro para negociar benefícios, como redução de pena e condições mais favoráveis de cumprimento da condenação.
Investigadores avaliam que a devolução de recursos é um dos pontos centrais para que o acordo avance.
Devolução de bilhões será exigida
Tanto a defesa quanto os investigadores reconhecem que Vorcaro precisará demonstrar que não está escondendo dinheiro e que está disposto a devolver uma quantia substancial aos cofres públicos.
Caso o patrimônio desapareça antes da assinatura do acordo, o ex-banqueiro pode perder um dos principais instrumentos de negociação.
Entre os valores investigados estão:
- cerca de R$ 12,2 bilhões em fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao BRB
- recursos bilionários de fundos de pensão estaduais e municipais
- valores desviados antes da liquidação do banco
- aproximadamente R$ 4,8 bilhões já retirados de bens e fundos, segundo o liquidante
Perfil do relator aumenta pressão
A estratégia de defesa também leva em conta o perfil do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça.
Interlocutores avaliam que dificilmente um acordo será aceito sem a devolução expressiva de valores, já que o magistrado tem histórico acadêmico ligado à recuperação de ativos em casos de corrupção.
Isso reforça a necessidade de Vorcaro apresentar rapidamente um plano concreto de devolução de recursos.
Delação pode atingir autoridades
Nos bastidores de Brasília, a possível delação de Vorcaro é acompanhada com preocupação por integrantes dos Três Poderes.
A devolução de bilhões e o detalhamento da origem e destino do dinheiro podem levar autoridades e agentes políticos ao centro das investigações, com potencial de provocar novas crises institucionais.
Quanto mais tempo demorar o acordo, maior o risco de dilapidação do patrimônio e menor o poder de barganha do ex-banqueiro, que agora corre contra o relógio para garantir a colaboração.