đŽ âPENDURICALHOSâ DISPARAM: PAGAMENTOS ACIMA DO TETO NO JUDICIĂRIO CRESCEM 43% E PASSAM DE R$ 10 BILHĂES

FlĂĄvio Dino proĂbe novos benefĂcios que ultrapassem o teto constitucional e cobra ação do Congresso
DE O GLOBO
Os pagamentos acima do teto constitucional no JudiciĂĄrio cresceram 43% em um ano e jĂĄ ultrapassam R$ 10 bilhĂ”es, reacendendo o debate sobre os chamados âpenduricalhosâ â verbas indenizatĂłrias e adicionais que elevam contracheques alĂ©m do limite previsto na Constituição.
Diante da escalada, o ministro FlĂĄvio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a criação ou aplicação de novas parcelas remuneratĂłrias que ultrapassem o teto do funcionalismo pĂșblico, atualmente fixado em R$ 46.366,19 â valor correspondente ao salĂĄrio dos ministros da Suprema Corte.
A decisĂŁo reforça liminar concedida no dia 5 de fevereiro, quando Dino determinou que ĂłrgĂŁos da UniĂŁo, estados e municĂpios revisem, em atĂ© 60 dias, todas as verbas pagas a membros de Poder e servidores pĂșblicos. BenefĂcios sem previsĂŁo expressa em lei deverĂŁo ser suspensos apĂłs o prazo.
Além disso, o ministro vedou o pagamento de valores retroativos que ultrapassem o teto, caso não tenham sido efetivamente quitados até 5 de fevereiro de 2026.
Congresso pressionado
Na nova decisão, Dino também cobrou que deputados e senadores regulamentem definitivamente o teto remuneratório. Segundo ele, se o Congresso continuar omisso, caberå ao STF estabelecer um regime transitório para disciplinar a matéria.
O ministro afirmou que a Corte jĂĄ analisou pelo menos 12.925 casos envolvendo o teto desde o ano 2000 e criticou o modelo de julgamento âcaso a casoâ, que, segundo ele, permite interpretaçÔes que criam novas modalidades de pagamento acima do limite constitucional.
Para Dino, adicionais e gratificaçÔes sĂł podem existir quando houver lei especĂfica, interesse pĂșblico comprovado e critĂ©rios objetivos e verificĂĄveis. âA mera utilização de rubricas genĂ©ricas nĂŁo supre essa exigĂȘnciaâ, destacou.
TransparĂȘncia sob questionamento
O ministro tambĂ©m criticou a falta de clareza nos Portais de TransparĂȘncia. Segundo ele, contracheques mensais que chegam a R$ 200 mil ou mais nĂŁo podem ser justificados apenas com descriçÔes genĂ©ricas como âdireitos eventuaisâ, âindenizaçÔesâ ou âremuneração paradigmaâ.
As decisÔes de Dino serão analisadas pelo plenårio do STF na próxima semana.
Enquanto isso, associaçÔes de magistrados, membros do MinistĂ©rio PĂșblico, defensores pĂșblicos e tribunais de contas tentam participar do processo como âamigos da Corteâ, alegando que parte das verbas questionadas tem respaldo em normas internas ou decisĂ”es administrativas.
O Tribunal de Justiça de SĂŁo Paulo tambĂ©m recorreu ao Supremo, afirmando que a suspensĂŁo ampla pode gerar insegurança jurĂdica e impacto na administração da Justiça.
