Câmara do Recife barra CPI contra João Campos; oposição boicota sessão e aciona a Justiça

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta quinta-feira (5), o recurso apresentado por vereadores de oposição contra o arquivamento do pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria possíveis irregularidades em um concurso público da prefeitura durante a gestão do prefeito João Campos (PSB).
O pedido de abertura da CPI havia sido protocolado pelo vereador Thiago Medina (PL) e contava com a assinatura de 13 dos 37 parlamentares da Casa. No entanto, poucas horas após a apresentação, o requerimento foi arquivado pelo presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), sob a justificativa de que não haveria “fato determinado” que justificasse a investigação.
A oposição recorreu da decisão e levou o tema ao plenário, mas o recurso foi rejeitado por maioria. Ao todo, 24 vereadores votaram contra a abertura da CPI e apenas a vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) se manifestou a favor da investigação.
Oposição boicota sessão
Em protesto contra o arquivamento da CPI, os 12 vereadores da bancada de oposição decidiram não participar da votação. O grupo também criticou a condução do processo e anunciou que ingressou na Justiça para tentar reverter a decisão.
Em nota, os parlamentares classificaram a decisão do presidente da Câmara como “arbitrária” e afirmaram que houve interferência indevida nas prerrogativas do Legislativo.
Segundo o bloco oposicionista, o pedido de CPI atendia a todos os requisitos previstos no regimento interno e caberia ao plenário decidir sobre a investigação.
“A decisão representa um grave ataque ao direito constitucional de fiscalização do Poder Legislativo”, diz trecho da nota divulgada pela oposição.
Caso envolve suspeita de favorecimento em concurso
A CPI pretendia investigar o chamado “caso fura-fila”, como a oposição passou a denominar a mudança no resultado de um concurso público para procurador municipal realizado em 2022.
Na ocasião, o advogado Marko Venício dos Santos Batista havia sido aprovado na vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD). No entanto, mais de dois anos após a homologação do resultado, ele deixou de ser nomeado.
Em seu lugar, foi convocado Lucas Vieira da Silva, que inicialmente havia ficado em 63º lugar na ampla concorrência.
Lucas Vieira é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e do juiz Rildo Vieira da Silva, titular da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária do Recife.
Após obter um laudo de autismo em maio de 2025 — dois anos depois da realização do concurso — ele solicitou a reclassificação para concorrer às vagas reservadas para pessoas com deficiência.
Parecer técnico foi contrário
Três procuradoras do município analisaram o pedido e emitiram parecer contrário à reclassificação, apontando que a alteração violaria regras previstas no edital do concurso.
Mesmo assim, o pedido acabou sendo autorizado pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes, indicado ao cargo pelo prefeito João Campos.
Após a repercussão do caso, a nomeação de Lucas Vieira foi anulada por meio de portaria publicada no Diário Oficial em 31 de dezembro de 2025.
Na mesma edição, o advogado Marko Batista foi finalmente nomeado para o cargo de procurador judicial e tomou posse no dia 6 de janeiro deste ano.
Câmara do Recife rejeita impeachment de João Campos após polêmica em concurso público

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3), a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). O pedido havia sido protocolado em dezembro de 2025, após a repercussão de uma mudança no resultado de um concurso público para procurador municipal.
Para que o processo fosse instaurado, era necessário o apoio da maioria simples dos 37 vereadores da Casa de José Mariano. No entanto, o requerimento não alcançou o número mínimo de votos e acabou sendo arquivado.
Na votação em plenário, 25 vereadores votaram contra a abertura do impeachment, enquanto nove parlamentares se posicionaram a favor. Houve ainda uma abstenção, da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL).
Os vereadores Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV) não participaram da votação.
Protestos antes da sessão
Antes do início da sessão, grupos favoráveis e contrários ao impeachment do prefeito realizaram manifestações em frente à Câmara Municipal do Recife.
O pedido de impedimento foi apresentado por parlamentares da oposição e está relacionado ao chamado “caso do concurso para procurador municipal”, que gerou questionamentos sobre uma mudança na lista de aprovados.
A denúncia aponta que a alteração teria beneficiado um candidato que não estava inicialmente entre os aprovados nas vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD).
O caso provocou forte repercussão política na capital pernambucana e motivou pedidos de investigação e de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara.