Após absolvição de padre Airton, mulher reafirma denúncia e diz: “Fui estuprada por um amigo”

Denunciante se diz revoltada com decisão judicial e afirma que vai recorrer
A absolvição do padre Airton Freire pela acusação de estupro, decidida nesta segunda-feira (30), gerou forte reação da mulher que denunciou o caso. Silvia Tavares, de 47 anos, afirmou estar indignada com a decisão da Justiça e voltou a declarar que foi vítima de violência sexual por parte do religioso.
“Me senti injustiçada. Desde 2022 eu luto para denunciar um líder religioso que eu considerava um amigo. Ele quebrou o que tenho de mais importante. Fui estuprada por um amigo. Não dormi e estou revoltada, mas não vou desistir”, declarou durante coletiva realizada no Recife.
Segundo ela, a luta agora será para reverter a sentença e buscar justiça também para outras possíveis vítimas.
Defesa aponta abuso de confiança
O advogado de Silvia, Rafael Nunes, afirmou que o padre teria se aproveitado da relação de proximidade e da confiança da denunciante.
De acordo com a defesa, Silvia tinha grande respeito pelo religioso e o considerava uma figura importante em sua vida, especialmente após ele participar de um processo de recuperação de saúde da mulher.
“O que houve foi um abuso de confiança. Ela tinha admiração e fé nele, e estava vulnerável naquele momento. O que ela narrou é um crime grave”, afirmou o advogado.
A equipe jurídica informou que irá recorrer da absolvição e sustenta que a palavra da denunciante não está isolada no processo.

Defesa promete recorrer da decisão
Durante a coletiva, o advogado afirmou que a sentença não representa o fim do caso e que haverá recurso na Justiça.
“Queremos dizer às outras vítimas que não desanimem. Essa decisão pode ser reformada. Silvia não ganhou nada com isso, apenas prejuízo psicológico, exposição e sofrimento. Vamos lutar até o final”, disse.
Juiz apontou contradições e falta de provas
Na decisão, o juiz Felipe Marinho dos Santos, da Vara Única de Buíque, entendeu que há contradições nas provas e que não foi possível comprovar a acusação.
Segundo a sentença, os elementos apresentados não foram suficientes para sustentar a condenação do religioso.
A defesa de Silvia, no entanto, classificou as contradições como pequenas e afirmou que não comprometem o conjunto das provas.
Denunciante afirma que padre mentiu
Silvia também declarou que o religioso teria apresentado versões falsas durante o processo.
Segundo ela, provas teriam demonstrado que o padre estava no local, que havia material biológico e que fotos teriam sido registradas.
“Ele mentiu do começo ao fim. Disse que não estava no local, que não havia provas, mas tudo foi demonstrado”, afirmou.
Motorista também foi absolvido
Além do padre Airton, a Justiça absolveu o motorista Jailson Leonardo da Silva, que também era acusado de participação no suposto crime.
Os dois estavam em prisão domiciliar desde 2023, quando as acusações se tornaram públicas. Com a decisão judicial, as medidas cautelares foram revogadas.