DELEGADA DA PF É AFASTADA POR SUSPEITA DE VAZAR DADOS SIGILOSOS PARA GRUPO LIGADO A VORCARO

Investigação aponta acesso ilegal a inquéritos da Polícia Federal e repasse de informações secretas para organização investigada na Operação Compliance Zero

A 6ª fase da Operação Compliance Zero revelou um novo e explosivo desdobramento no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master: uma delegada da Polícia Federal foi afastada do cargo sob suspeita de atuar como informante de uma organização criminosa investigada pela própria PF.

A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva é apontada pelos investigadores como responsável por acessar dados sigilosos da corporação e repassar informações estratégicas ao grupo conhecido como “A Turma”, ligado ao pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro.

STF aponta “papel relevante” da delegada

Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que a atuação da delegada “ultrapassava mera proximidade” com os investigados.

Segundo o magistrado, Valéria teria assumido “papel relevante no fornecimento de informações sigilosas ao grupo criminoso”.

As investigações apontam que ela acessou, sem justificativa funcional, um inquérito conduzido pela Superintendência da PF em São Paulo, mesmo estando lotada há quase 20 anos na Delegacia de Polícia Fazendária de Minas Gerais, sem qualquer ligação com o caso.

Marido aposentado da PF também é investigado

De acordo com a investigação, a delegada contava com ajuda do marido, o agente aposentado da Polícia Federal Francisco José Pereira da Silva.

Os dois teriam realizado consultas indevidas no sistema e-Pol, plataforma interna usada pela PF para armazenar:

  • investigações sigilosas;
  • relatórios;
  • informações estratégicas;
  • movimentações de inquéritos.

Segundo a Polícia Federal, os dados acessados eram repassados para Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do grupo “A Turma”.

Grupo buscava monitorar investigações da PF

Para os investigadores, o objetivo da organização era acompanhar o andamento de operações policiais e obter informações privilegiadas sobre ações da própria PF.

A corporação avalia que o caso revela uma possível infiltração criminosa em áreas sensíveis da Polícia Federal.

A suspeita é de que o grupo utilizava os vazamentos para:

  • antecipar operações;
  • monitorar alvos;
  • acessar informações sigilosas;
  • proteger integrantes da organização.

Operação mira ameaças, hackers e espionagem

A nova fase da Compliance Zero investiga uma estrutura acusada de:

  • ameaças;
  • intimidações;
  • espionagem;
  • invasões cibernéticas;
  • corrupção;
  • lavagem de dinheiro;
  • violação de sigilo funcional.

Segundo a PF, existiam dois núcleos principais:

  • “A Turma”, responsável por intimidações e obtenção de dados sigilosos;
  • “Os Meninos”, grupo de hackers acusado de invasões telemáticas e ataques digitais.

Prisões e buscas em três estados

A operação desta quinta-feira cumpriu:

  • 7 mandados de prisão preventiva;
  • 17 mandados de busca e apreensão;
  • bloqueios de bens;
  • afastamentos de servidores públicos.

As ações ocorreram nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Entre os alvos está Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de atuar como operador financeiro da estrutura investigada.

Delegada foi afastada e proibida de acessar a PF

Por determinação judicial, Valéria Vieira Pereira da Silva foi:

  • afastada preventivamente do cargo;
  • proibida de acessar dependências da Polícia Federal;
  • impedida de manter contato com outros policiais envolvidos no caso.

A investigação segue em andamento e novos desdobramentos não estão descartados pela Polícia Federal.

Decisão completa do Ministro André Mendonça

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