BASTIDORES DO CAOS: REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DE FLÁVIO APÓS CASO VORCARO TEVE CLIMA DE “BARATA VOA”

Aliados relatam pânico, silêncio em grupos bolsonaristas e crise sem comando após vazamento de áudios e mensagens

A divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro mergulhou a cúpula do PL em uma tarde de tensão, improviso e desorganização nos bastidores da pré-campanha presidencial de 2026.

Segundo relatos obtidos por O GLOBO, aliados próximos do senador classificaram o clima interno como um verdadeiro “barata voa”, com parlamentares sem orientação política, grupos bolsonaristas em silêncio e uma reunião de emergência convocada às pressas no Lago Sul, em Brasília. 

Reunião durou mais de 3 horas

O encontro aconteceu na casa que funciona como QG da campanha de Flávio Bolsonaro e reuniu nomes importantes do PL, entre eles:

  • Valdemar Costa Neto;
  • Rogério Marinho;
  • integrantes da ala jurídica;
  • equipe de comunicação;
  • aliados políticos próximos do senador.

De acordo com interlocutores, auxiliares abandonaram compromissos ao longo da tarde para participar da reunião, logo após a repercussão da reportagem do Intercept Brasil. 

“Ninguém sabia o que fazer”

Aliados relataram que o ambiente era descrito como:

  • “péssimo”;
  • “muito tenso”;
  • “completamente desorganizado”.

Um senador resumiu o cenário:

“Não tinha orientação nenhuma. Ninguém sabia o que fazer.” 

Segundo os relatos, grupos de WhatsApp da oposição, normalmente movimentados, mergulharam em silêncio após a divulgação das mensagens envolvendo Flávio e Vorcaro.

Flávio adiou viagem e tentou acalmar aliados

Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro decidiu cancelar uma viagem ao Rio de Janeiro e permaneceu em Brasília para acompanhar a crise.

Durante a reunião, o senador afirmou que havia “risco zero” de novos vazamentos e sustentou que aquele teria sido o único contato com Vorcaro relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. 

Reportagem aponta negociação milionária

Segundo a publicação do Intercept Brasil, mensagens, cronogramas e comprovantes bancários indicariam negociações de cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme.

Ainda conforme a reportagem, aproximadamente R$ 61 milhões já teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025. 

O caso atingiu diretamente a estratégia do PL de afastar Flávio Bolsonaro do escândalo envolvendo o Banco Master e consolidá-lo como o principal nome da direita para disputar a Presidência em 2026.

Aliados admitem desgaste político

A principal preocupação da campanha seria o impacto eleitoral da crise justamente no momento em que pesquisas recentes mostravam Flávio em empate técnico com Lula em cenários de segundo turno.

Nos bastidores, integrantes do PL passaram a avaliar que o episódio compromete o esforço de apresentar Flávio como um nome mais moderado e capaz de dialogar com setores do centro político e do empresariado. 

Negativa inicial “pegou mal”

Horas antes da publicação das mensagens, Flávio Bolsonaro chegou a afirmar ao Intercept que os diálogos eram “mentira”.

Quando os áudios e conversas começaram a circular, aliados concluíram rapidamente que a negativa inicial havia causado ainda mais desgaste.

A partir daí, começou uma disputa interna sobre qual estratégia deveria ser adotada.

Campanha mudou discurso após pressão interna

Segundo interlocutores, parte do grupo defendia atacar diretamente o Intercept e falar em perseguição política.

Outro grupo avaliava que negar totalmente os contatos seria insustentável diante do material divulgado.

A solução encontrada foi admitir que houve tentativa de captar “patrocínio privado para um filme privado”, mas negar qualquer ilegalidade ou uso de recursos públicos. 

A linha acabou prevalecendo após intervenção do senador Rogério Marinho e da equipe jurídica da campanha.

Michelle Bolsonaro já aparece como alternativa

A crise também abriu discussões internas sobre possíveis impactos eleitorais.

Segundo mensagens citadas pela reportagem, o deputado Ricardo Salles chegou a levantar a hipótese de Michelle Bolsonaro substituir Flávio caso ele “perca tração” após o escândalo. 

A sugestão provocou reação imediata dentro dos grupos bolsonaristas.

Clima ainda é de insegurança

Mesmo após a divulgação da nota oficial de Flávio Bolsonaro, aliados relataram que o ambiente continuava marcado por:

  • irritação;
  • perplexidade;
  • insegurança sobre os próximos passos da campanha.

Um senador resumiu o sentimento em grupo reservado da oposição:

“Quer saber? Tô puuuuto.” 

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