CHUVAS DEVASTAM PERNAMBUCO: MAIS DE 9,5 MIL FORA DE CASA E 6 MORTOS

Temporais deixam rastro de destruição, forçam retirada em massa e colocam 27 municípios em situação de emergência
As fortes chuvas que atingiram Pernambuco desde a última sexta-feira (1º) provocaram um cenário de calamidade em diversas regiões do estado. Segundo balanço atualizado da Defesa Civil de Pernambuco, ao menos 9.540 pessoas estão desalojadas ou desabrigadas, além de seis mortes confirmadas.
Os temporais afetaram principalmente o Grande Recife e a Zona da Mata, levando o governo estadual a decretar situação de emergência em 27 municípios por um período de 180 dias.
A governadora Raquel Lyra afirmou que mais de 900 pessoas já foram resgatadas e destacou o esforço das equipes em campo. “Infelizmente, tivemos seis vidas perdidas”, declarou.
Do total de afetados, 1.632 pessoas estão desabrigadas — aquelas que perderam suas casas e dependem de abrigos públicos — e 7.908 estão desalojadas, ou seja, tiveram que sair de casa, mas encontraram abrigo provisório com familiares ou amigos. Ao todo, 30 abrigos foram abertos para acolher a população.
As mortes ocorreram principalmente por deslizamentos de barreiras na Região Metropolitana do Recife, incluindo áreas da capital e de Olinda. Entre as vítimas, estão três crianças. Outro caso foi registrado em São Lourenço da Mata, onde uma pessoa foi arrastada pela correnteza.

RESPOSTA EMERGENCIAL E IMPACTOS
O governo estadual iniciou uma força-tarefa com envio de máquinas, distribuição de donativos e ações de resgate em áreas isoladas. Mais de 4,4 mil itens de ajuda humanitária já foram entregues, incluindo colchões, alimentos e kits de higiene.
Em municípios como Goiana, equipes atuam para restabelecer acessos, especialmente em áreas rurais. Houve ainda resgates com helicópteros para transporte de pacientes em situação crítica, como pessoas que necessitam de hemodiálise.
A gestão estadual também iniciou o levantamento de danos para solicitar apoio federal. Reuniões com ministérios estão previstas para definir recursos e ações de reconstrução.
CENÁRIO AINDA PREOCUPANTE
Apesar da redução no volume de chuvas nos últimos dias, ainda há áreas alagadas no Recife, em Jaboatão dos Guararapes e em Goiana. A tendência, segundo autoridades, é de precipitações mais fracas, mas o risco permanece em regiões vulneráveis.
A tragédia reacende o alerta sobre ocupações em áreas de risco e a necessidade de investimentos estruturais em drenagem, habitação e prevenção de desastres.