CRISE DOS ÁUDIOS DE VORCARO EXPLODE EM BRASÍLIA E ABALA PRÉ-CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO

André Mendonça chama PF após vazamentos; Centrão amplia “viuvez de Tarcísio” e filme sobre Bolsonaro vira risco jurídico no TSE
A crise provocada pelos áudios e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ganhou novos capítulos explosivos em Brasília.
Enquanto o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou uma reunião urgente com integrantes da Polícia Federal para tratar dos vazamentos da Operação Compliance Zero, lideranças do Centrão já admitem forte desgaste político da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, passaram a enxergar a crise como um divisor de águas dentro do campo conservador.
ANDRÉ MENDONÇA CHAMA PF APÓS VAZAMENTO DOS ÁUDIOS

O ministro André Mendonça marcou para esta sexta-feira uma reunião com a equipe da Polícia Federal responsável pela Operação Compliance Zero.
Segundo interlocutores, o encontro discutirá:
- vazamentos da investigação;
- divulgação dos diálogos entre Flávio e Vorcaro;
- alinhamentos internos da operação;
- próximos passos das apurações envolvendo o Banco Master.
A reunião acontece após o Intercept Brasil divulgar conversas em que Flávio Bolsonaro cobra pagamentos de parcelas milionárias para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
ÁUDIOS MOSTRAM FLÁVIO COBRANDO DINHEIRO PARA O FILME
Nos diálogos revelados, Flávio Bolsonaro aparece pressionando Daniel Vorcaro para manter os pagamentos do projeto cinematográfico.
Segundo as reportagens, o financiamento total negociado para o filme chegaria a R$ 134 milhões.
Até agora, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
Em um dos áudios, Flávio demonstra preocupação com atrasos nas parcelas e afirma que a produção não poderia “dar calote” em nomes renomados do cinema internacional.
CENTRÃO VÊ DESGASTE E “VIUVEZ DE TARCÍSIO” CRESCE
A divulgação das conversas provocou forte repercussão entre partidos do Centrão.
Lideranças políticas avaliam que a crise abalou a imagem de Flávio Bolsonaro como nome competitivo para disputar a Presidência em 2026.
Nos bastidores, dirigentes de partidos de centro passaram a reforçar o apoio velado ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), visto como um nome:
- menos rejeitado;
- mais palatável ao empresariado;
- com maior capacidade de diálogo político.
Segundo aliados, a chamada “viuvez de Tarcísio” ganhou força após o desgaste envolvendo Vorcaro e o Banco Master.
ADVOGADO NOS EUA VIRA ELO ENTRE FILME E EDUARDO BOLSONARO
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores é a ligação entre os recursos do filme e pessoas próximas a Eduardo Bolsonaro.
Segundo reportagens, parte do dinheiro enviado por Vorcaro teria passado pelo fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, nos Estados Unidos.
O fundo está ligado ao advogado Paulo Calixto, aliado próximo de Eduardo Bolsonaro.
A Polícia Federal apura se recursos do esquema também podem ter sido usados para ajudar na permanência do deputado licenciado nos EUA.
O advogado Paulo Calixto atua na área de imigração e aparece ligado a organizações conservadoras próximas ao bolsonarismo nos Estados Unidos.
FILME “DARK HORSE” PODE VIRAR PROBLEMA NO TSE
Além da crise política, o filme sobre Jair Bolsonaro também passou a preocupar juridicamente aliados de Flávio.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já proibiu anteriormente a exibição de um documentário sobre Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2022.
Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que “Dark Horse” pode ser interpretado como propaganda eleitoral antecipada, especialmente porque o lançamento está previsto para setembro, às vésperas das eleições presidenciais.
Aliados divergem sobre a estratégia:
- um grupo defende adiar a estreia;
- outro quer antecipar o lançamento para tentar “virar a página” da crise dos áudios.
FLÁVIO ADMITE QUE OMITIU RELAÇÃO COM VORCARO
Em entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro admitiu que omitiu anteriormente sua relação com Daniel Vorcaro.
Segundo ele, existia uma cláusula de confidencialidade envolvendo investidores do filme.
O senador afirmou que:
- buscava “investidores privados”;
- o projeto é “100% privado”;
- não houve uso de dinheiro público;
- não sabia detalhes sobre movimentações financeiras do fundo ligado ao filme.
Flávio também afirmou que chegou a cogitar levar Jair Bolsonaro para conhecer Vorcaro pessoalmente, embora o encontro nunca tenha acontecido.
INVESTIGAÇÃO DO BANCO MASTER SEGUE AVANÇANDO
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de:
- fraudes financeiras;
- lavagem de dinheiro;
- corrupção;
- invasões cibernéticas;
- vazamentos de informações sigilosas;
- organização criminosa.
Daniel Vorcaro foi preso após o colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
A Polícia Federal segue analisando celulares, mensagens e movimentações financeiras ligadas ao caso.