BRASIL SEGUE ENTRE OS PIORES PAÍSES PARA NEGÓCIOS E SOFRE COM BUROCRACIA, JUROS E INSEGURANÇA

O Brasil continua enfrentando dificuldades históricas para se tornar um ambiente mais atrativo para investimentos e abertura de negócios. Levantamentos internacionais mostram que o país ainda aparece entre os piores colocados em rankings globais de competitividade, convivendo com problemas como carga tributária elevada, insegurança jurídica, burocracia excessiva, infraestrutura precária e juros altos.
Segundo dados do Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), o Brasil ocupou apenas a 58ª posição entre 69 países avaliados em competitividade global. O desempenho é ainda pior em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico, como educação básica, produtividade da força de trabalho, qualificação profissional e custo de capital.
Especialistas afirmam que o cenário se agravou com o aumento das incertezas internacionais, incluindo pandemia, guerra da Ucrânia, conflitos no Oriente Médio e disputas comerciais globais, fatores que ampliaram a instabilidade econômica e reduziram o apetite de investidores.
Para analistas, a falta de previsibilidade no ambiente político, econômico e jurídico brasileiro continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento do país.
“O Brasil é um país excelente, mas falta previsibilidade básica”, afirmou João Mendonça, sócio do escritório Felsberg Associados, especializado em direito societário e fusões empresariais.
A insegurança jurídica, segundo especialistas, aparece em mudanças frequentes de regras, revisões de entendimentos judiciais e demora na conclusão de processos, fatores que afastam investidores nacionais e estrangeiros.
Outro ponto considerado crítico é a situação fiscal do país. Economistas alertam que o aumento do endividamento público impede a redução consistente dos juros e afeta diretamente empresas e famílias.
Um levantamento da RK Partners mostrou que 24% das empresas brasileiras não conseguem sequer pagar os juros das próprias dívidas. Já entre as famílias, quase metade da população adulta está negativada, enquanto o comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,2%.
Especialistas defendem que reformas estruturais, equilíbrio fiscal e maior segurança jurídica serão fundamentais para evitar que o Brasil continue perdendo competitividade internacional.
O tema será debatido durante o projeto “Brasil Adiante”, promovido pelo Estadão, que reunirá economistas, juristas e especialistas nos próximos meses para discutir soluções voltadas aos desafios econômicos e institucionais do país.