Política
Operação prende três vereadores e investiga influência de facção nas eleições de Sobral
Investigação apura cobrança de até R$ 60 mil de candidatos e possível interferência do crime organizado nas eleições municipais de 2024 e no processo eleitoral de 2026
Três vereadores de Sobral foram presos e afastados dos cargos por 180 dias durante a Operação Omertá, deflagrada nesta terça-feira (11). A investigação apura a suposta influência do crime organizado nas eleições municipais de 2024 e também no processo eleitoral de 2026.
Segundo apuração da TV Verdes Mares, a investigação aponta possível atuação do Comando Vermelho no esquema. Os vereadores presos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União), que também receberam ordem de afastamento dos cargos.
Ao todo, a operação busca cumprir 14 mandados de prisão preventiva, incluindo os três parlamentares, além de 25 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos, enquanto a 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza expediu as ordens judiciais.
Investigação aponta cobrança de até R$ 60 mil

Investigação aponta cobrança de até R$ 60 mil de candidatos em Sobral – Foto: Reprodução/g1
De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), a organização criminosa cobrava valores de candidatos para permitir que eles entrassem em determinados bairros durante a campanha eleitoral. Os investigadores identificaram cobranças que variavam entre R$ 30 mil e R$ 60 mil, conforme a situação política de cada candidato.
Segundo os indícios reunidos no inquérito, candidatos que ainda não tinham mandato pagariam R$ 30 mil pelo chamado “pedágio eleitoral”. Já aqueles que ocupavam cargos eletivos teriam de desembolsar R$ 60 mil para circular nas áreas controladas pelo grupo.
O MPCE afirma ainda que integrantes da organização criminosa usavam ameaças e coação para tentar influenciar a escolha política dos eleitores. Nesse contexto, a investigação apura se a facção interferiu diretamente na liberdade de campanha dos candidatos e no processo de votação.
O Ministério Público e a Polícia Federal informaram que abriram o inquérito em 2024 e, desde então, passaram a reunir depoimentos e outros elementos relacionados à possível interferência da facção. Com o avanço das apurações, os investigadores reuniram material que resultou na operação realizada nesta terça-feira.
A Operação Omertá também alcança um assessor jurídico da Câmara Municipal de Sobral, integrantes da organização criminosa e outros agentes públicos. Por sua vez, uma policial militar e outros servidores receberam ordens de afastamento das funções pelo período de 180 dias.
Segundo a Polícia Federal, um advogado também aparece entre os alvos porque os agentes suspeitam que ele integrava a estrutura do grupo criminoso. Nesse caso, a corporação apura se o profissional exercia funções ligadas ao núcleo de liderança e ao cumprimento de ordens destinadas a interferir no processo eleitoral.
Justiça determina buscas e outras medidas cautelares
Durante a operação, os investigadores realizaram buscas para apreender aparelhos celulares, documentos e outros materiais que possam contribuir com a apuração. Até a divulgação das informações, o MPCE havia confirmado o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão.
Ao mesmo tempo, a Justiça proibiu determinados investigados de manter contato com testemunhas e outros envolvidos no processo. Outra medida obrigou a Câmara Municipal de Sobral a apresentar uma relação completa de ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários vinculados à Casa.
As autoridades investigam possíveis crimes de participação em organização criminosa, extorsão por meio do chamado “pedágio eleitoral” e corrupção eleitoral. Da mesma forma, o inquérito analisa suspeitas de domínio social estruturado, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de dinheiro.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), a 3ª Promotoria Eleitoral e o Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL) apresentaram conjuntamente os pedidos que deram origem às ordens judiciais. Enquanto isso, a investigação continua sob segredo de justiça, o que limita a divulgação de detalhes sobre os demais alvos.
Defesas e Câmara se manifestam sobre a operação
A defesa de Mario Vicktor, representada pelo advogado Wentony Morais, informou que ainda não teve acesso integral aos autos. Segundo o advogado, a equipe pretende analisar todo o conteúdo e os elementos reunidos no processo antes de apresentar uma manifestação detalhada.
Até a última atualização da reportagem original, as defesas e os partidos dos outros vereadores presos não haviam divulgado posicionamentos sobre a operação. Por isso, a investigação segue sem manifestação pública de todos os parlamentares citados.
O presidente da Câmara Municipal de Sobral, Chico Jóia Júnior (União), informou inicialmente que ainda aguardava a documentação oficial sobre o afastamento dos vereadores. Ao mesmo tempo, afirmou que a Casa estava entregando os documentos solicitados pelos órgãos responsáveis pela investigação.
Em nota, a Câmara declarou que acompanha os desdobramentos da operação e que adotará as providências administrativas e institucionais necessárias à medida que receber as informações oficiais. A instituição também reafirmou o compromisso com a transparência, a legalidade e o funcionamento regular das atividades legislativas e administrativas.
Por fim, a Câmara afirmou que continuará colaborando com as autoridades dentro de suas atribuições. Enquanto isso, os órgãos responsáveis pela Operação Omertá seguem analisando o material apreendido e mantêm a investigação sob segredo de justiça.
Com informações do g1
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