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Presidente da Conafer é preso pela PF e possível delação repercute no Centrão

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Carlos Roberto Ferreira Lopes estava foragido desde novembro de 2025 e se apresentou à Polícia Federal em Brasília; fontes relatam expectativa de eventual colaboração premiada

Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), após se apresentar à Superintendência Regional da corporação no Distrito Federal. Ele era considerado o último foragido da Operação Sem Desconto e estava sendo procurado desde novembro de 2025.

Lopes é investigado no esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Polícia Federal concluiu uma etapa do inquérito e indiciou o dirigente, juntamente com outros investigados, no âmbito das apurações envolvendo a Conafer.

Segundo a Folha de S.Paulo, a prisão preventiva havia sido decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2025. A Conafer informou nesta quinta-feira (13) que Lopes se apresentou voluntariamente e ressaltou que a decisão não representa confissão nem reconhecimento das acusações. A entidade afirmou que ele pretende apresentar documentos e informações em sua defesa.

Possível colaboração premiada aumenta repercussão do caso

A prisão ganhou ainda mais repercussão política diante da possibilidade de uma colaboração premiada. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil e citadas em reportagem publicada nesta quinta-feira, existe expectativa de que Lopes possa negociar uma delação. A eventual colaboração poderia alcançar figuras políticas ligadas ao Centrão, devido às relações atribuídas à Conafer com integrantes desse grupo político.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que um acordo de colaboração premiada tenha sido firmado. A possibilidade é tratada como expectativa por fontes que acompanham o caso.

A Conafer ocupa posição relevante nas investigações sobre as fraudes envolvendo descontos associativos. Segundo a Polícia Federal, Lopes é suspeito de ter exercido papel de liderança no esquema, inclusive na distribuição de recursos, orientação de práticas fraudulentas e articulação política do grupo.

As investigações também apontam suspeitas de que a entidade tenha utilizado filiações falsas para permitir descontos diretamente nos benefícios previdenciários. A Conafer é ainda investigada sob suspeita de pagamento de propina a agentes públicos em troca de favorecimento no esquema.

Lopes foi um dos 48 indiciados pela PF na primeira conclusão do inquérito relacionada ao caso. O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do processo no STF.

Em setembro de 2025, Carlos Roberto já havia sido chamado a depor na CPMI do INSS. Na ocasião, negou participação em fraudes e declarou desconhecer detalhes de operações realizadas por pessoas e empresas vinculadas à Conafer.

O depoimento terminou de maneira turbulenta. Na madrugada de 30 de setembro, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, determinou a prisão em flagrante de Lopes por falso testemunho, após parlamentares apontarem contradições em suas declarações.

Posteriormente, o dirigente pagou fiança de R$ 5 mil e foi colocado em liberdade.

Agora, com a nova prisão e o avanço das investigações da Operação Sem Desconto, o futuro de Lopes volta ao centro das apurações sobre o esquema de descontos indevidos do INSS, especialmente diante da expectativa em torno de uma possível colaboração com investigadores.

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