Mundo
Ataque russo deixa 12 mortos em várias regiões da Ucrânia
Zelensky afirma que ofensiva atingiu áreas residenciais e estruturas civis; Rússia diz ter atacado instalações militares
Uma nova onda de ataques russos deixou 12 mortos na região de Kiev, na Ucrânia, nesta terça-feira (1º), segundo autoridades ucranianas. Além das mortes, a ofensiva atingiu imóveis residenciais, estruturas ferroviárias e uma usina termelétrica na região de Odessa.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que as forças russas usaram centenas de drones, inclusive modelos movidos a jato, além de mísseis balísticos. Segundo ele, os ataques alcançaram diferentes regiões do país e deixaram milhares de famílias sem energia elétrica.
Na região de Kiev, cerca de 350 socorristas participam das operações de emergência. Além disso, autoridades mobilizaram equipes para atender outros pontos atingidos.
Oito pessoas morreram na capital ucraniana durante os ataques da madrugada. Segundo autoridades locais, a maioria das vítimas trabalhava no setor ferroviário.
Já em Boryspil, nos arredores de Kiev, quatro pessoas morreram e outras 13 ficaram feridas depois que um ataque atingiu um edifício residencial e outros locais. Entre as vítimas fatais fora da capital havia uma cidadã indiana.
Durante o dia, outro ataque com drones provocou incêndio em um prédio residencial de Kiev e deixou três pessoas feridas, segundo o prefeito Vitali Klitschko.
Usina termelétrica e rede de energia foram atingidas

Ataque russo atingiu Boryspil, nos arredores de Kiev, deixando quatro mortos e 13 feridos, segundo autoridades ucranianas – Foto: Reprodução
A estatal ucraniana Naftogaz informou que um ataque russo atingiu uma usina termelétrica na região de Odessa. Além disso, a ofensiva alcançou uma passagem de fronteira com a Romênia, país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na região do Mar Negro.
Zelensky afirmou que milhares de famílias ficaram sem eletricidade após os ataques. Ao mesmo tempo, equipes de emergência começaram a trabalhar para restabelecer os serviços nas áreas afetadas.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, disse que drones e mísseis balísticos atingiram zonas residenciais e estruturas ferroviárias. Diante disso, ele pediu aos aliados que ampliem a pressão econômica sobre Moscou e reforcem o fornecimento de sistemas de defesa aérea.
Sybiha também alertou para a redução dos estoques de interceptadores Patriot, usados pela Ucrânia contra mísseis balísticos russos.
Rússia amplia uso de drones a jato
A Rússia intensificou o emprego de drones mais rápidos nos últimos meses. Segundo o porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yuriy Ihnat, Moscou lançou mais de 2,8 mil drones movidos a jato contra a Ucrânia somente em agosto.
O número representa um forte crescimento no uso desse tipo de equipamento. Como esses drones voam em velocidades maiores, a interceptação se torna mais difícil para as defesas ucranianas.
Nesta terça-feira, a Força Aérea da Ucrânia afirmou que derrubou cinco mísseis balísticos. Kiev também recebeu recentemente uma quantidade limitada de novos interceptadores Patriot.
Os ataques desta semana fazem parte de uma sequência de ofensivas intensas contra Kiev e seus arredores. Segundo autoridades ucranianas, esta foi a sexta sequência de dias com ataques pesados contra a região da capital.
Rússia afirma ter atacado instalações militares e de energia
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a realização de ataques durante a madrugada. Segundo Moscou, as forças russas atingiram instalações militares e estruturas de energia em Kiev, Odessa e regiões próximas.
O governo russo afirmou que utilizou armas guiadas de precisão e drones de longo alcance. Além disso, disse que seus alvos incluíram estruturas relacionadas à produção e ao armazenamento de armamentos.
A versão russa, portanto, difere da ênfase dada pelo governo ucraniano aos danos provocados em áreas residenciais e outras estruturas civis.
Ucrânia também amplia ataques dentro da Rússia
Ao mesmo tempo, a Ucrânia intensificou ataques contra território russo. Entre os principais alvos aparecem refinarias de petróleo, instalações logísticas e estruturas portuárias.
Autoridades regionais russas afirmaram que ataques provocaram um incêndio na área portuária de Ust-Luga, importante ponto de exportação no noroeste do país. Além disso, instalações civis sofreram danos na região de Samara, onde funcionam diversas refinarias.
Na região de Belgorod, próxima à fronteira com a Ucrânia, um civil morreu durante um ataque, segundo o governador interino.
As forças de defesa da Estônia também disseram que drones usados em uma operação ucraniana contra a Rússia entraram brevemente no espaço aéreo estoniano. O governo do país afirmou que o episódio reforça a necessidade de ampliar a defesa aérea na região.
Negociações de paz seguem sem avanço

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, afirmou que os ataques russos deixaram mortos e atingiram diferentes regiões do país – Foto: Reprodução
A escalada militar ocorre enquanto as negociações para encerrar a guerra permanecem praticamente paralisadas. A Ucrânia rejeita as exigências russas de cessão de territórios, enquanto as tentativas de mediação lideradas pelos Estados Unidos enfrentam dificuldades.
Zelensky afirmou na segunda-feira (31) que conversou com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente norte-americano Donald Trump. Segundo ele, as partes discutem possíveis datas para uma visita à Ucrânia.
Enquanto isso, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse ao presidente russo, Vladimir Putin, que a guerra precisa terminar. Putin, por sua vez, afirmou que Moscou estaria avançando nessa direção.
A guerra começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala do território ucraniano.
Com informações da Revista Oeste
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