Brasil
PGR envia ao STF delação ligada a repasses para ‘Dark Horse’
Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, teria intermediado pagamentos destinados a “Dark Horse” e buscado moeda para operações em dinheiro vivo
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Dono da Entre Investimentos e Participações, ele é apontado por investigadores como responsável por uma empresa que teria intermediado repasses para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A proposta chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o caso Master no Supremo. Agora, o acordo ainda precisa da homologação do ministro, que não tem prazo para decidir sobre o pedido.
Segundo a investigação, Freixo Júnior também teria entre suas atribuições a busca por moeda para viabilizar pagamentos em dinheiro vivo. Além disso, a Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, que o Banco Central liquidou em março deste ano.
O acordo de Freixo Júnior foi assinado no mesmo dia da proposta de colaboração de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag. Da mesma forma, a PGR encaminhou a delação de Mansur ao gabinete de Mendonça para análise.
Em uma colaboração premiada, o investigado se compromete a relatar os fatos ilícitos dos quais participou e a apresentar elementos que possam ajudar na apuração. Em contrapartida, ele pode receber benefícios previstos em lei caso a Justiça homologue o acordo e a colaboração produza resultados.
Entre recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados

Arte sobre R$ 159,2 milhões recebidos pela Entre Investimentos | Imagem gerada por IA.
Em maio, relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostraram que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal no âmbito das apurações sobre o Banco Master.
No entanto, ainda não há informação sobre quanto desse total seguiu efetivamente para o financiamento de “Dark Horse” ou para a produtora responsável pelo filme. O acordo relacionado à produção previa R$ 124 milhões e, segundo os dados citados na investigação, Daniel Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões.
A maior parcela recebida pela Entre, de R$ 139,2 milhões, veio da Sefer Investimentos. A empresa apareceu entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro, por relações investigadas com Vorcaro.
Além disso, outros R$ 20 milhões vieram do fundo Gold Style, administrado pela Reag. A Polícia Federal também investiga estruturas ligadas à gestora em apurações sobre movimentações financeiras e suspeitas de lavagem de dinheiro.
Por sua vez, o Banco Central atribuiu a liquidação do grupo Entrepay ao comprometimento da situação econômico-financeira, a irregularidades no cumprimento das normas do setor e a prejuízos considerados capazes de expor credores a risco anormal.
Investigação aponta novos repasses para “Dark Horse”

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente – Foto: Reprodução
Nesta semana, as investigações também revelaram um pagamento adicional de US$ 1,6 milhão destinado ao filme em setembro de 2025. Segundo informações do inquérito, o repasse ocorreu dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, cobrar parcelas que estariam atrasadas.
Esse valor se soma a outros seis pagamentos divulgados anteriormente: dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão. Com isso, os repasses realizados até maio de 2025 teriam alcançado cerca de R$ 61 milhões.
De acordo com a investigação, os recursos seguiam para o Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas. Em seguida, a estrutura administrava o dinheiro e fazia transferências para a Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”.
Entre os administradores do Havengate aparece Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ainda segundo a apuração, a estrutura financeira mantinha ligação direta com os pagamentos destinados à produção.
Por fim, as informações sobre o novo repasse constam de um dos inquéritos da Polícia Federal e surgiram a partir de dados do Coaf. Caso André Mendonça homologue o acordo, a colaboração de Freixo Júnior poderá acrescentar novos elementos às investigações sobre a origem, a movimentação e o destino dos recursos ligados ao filme.
Com informações do g1
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