Cidades
PF prende suspeito de destruir provas em investigação sobre contratos milionários da Prefeitura do Recife
Operação Check-out apura tentativa de obstrução de investigação que mira suspeitas de corrupção, fraude em licitações e desvio de recursos em contratos de 2020
A Polícia Federal deflagrou a Operação Check-out para investigar suspeitos de destruir provas e tentar obstruir uma apuração sobre contratos firmados com a Prefeitura do Recife. A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva no Recife e em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco.
Segundo a PF, a nova ofensiva é um desdobramento da Operação Check-in, deflagrada em junho de 2026 para investigar uma organização criminosa suspeita de corrupção de servidores públicos, desvio de recursos e fraudes em licitações e contratos municipais.
Um dos suspeitos procurados não foi localizado durante o cumprimento das ordens judiciais. A Polícia Federal informou que as diligências continuam para encontrá-lo.
Investigação começou após apreensão de canhotos de cheques
A Operação Check-in teve origem em elementos encontrados durante outra investigação da PF, denominada Operação Firenze.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, canhotos de cheques apreendidos naquela operação levantaram suspeitas de pagamento de vantagem indevida por uma empresa contratada pela Prefeitura do Recife a um agente público do alto escalão municipal.
Nem o nome nem o cargo do servidor investigado foram divulgados.
As suspeitas recaem sobre contratos de terceirização de mão de obra firmados em 2020, último ano da gestão do então prefeito Geraldo Julio. Naquele ano, a empresa investigada recebeu R$ 25,8 milhões da Prefeitura do Recife, dos quais aproximadamente R$ 17 milhões tinham origem em recursos federais.
Primeira fase teve oito mandados
Na primeira etapa da investigação, realizada em junho, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União cumpriram oito mandados de busca e apreensão no Recife, Cabo de Santo Agostinho e Jaboatão dos Guararapes.
A apuração busca identificar eventual esquema envolvendo pagamento de propina, direcionamento ou fraude em contratos públicos e desvio de recursos.
Os fatos permanecem sob investigação, e não há condenação dos envolvidos até o momento.
Check-out mira possível destruição de provas
Nesta nova fase, o foco passou a ser uma possível tentativa de interferir na própria investigação.
A PF afirma que o investigado alvo da Operação Check-out teria, em tese, destruído provas e obstruído a apuração sobre a organização criminosa investigada na Check-in.
As identidades dos alvos desta etapa não foram oficialmente divulgadas pela corporação.
O material apreendido durante as buscas deverá ser analisado para determinar se houve efetivamente destruição, ocultação ou manipulação de elementos relevantes para a investigação.
Caso envolve contratos milionários
A investigação chama atenção pelo volume dos contratos sob análise e pela participação de recursos federais.
A Polícia Federal ainda não informou qual seria o prejuízo efetivamente causado aos cofres públicos nem se todo o valor dos contratos está sob suspeita.
Também não há, até agora, conclusão sobre eventual responsabilidade individual de servidores, empresários ou outros envolvidos.
As investigações continuam.
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