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Economia

Comida volta a pesar no bolso: inflação dos alimentos acelera e acende alerta para os próximos meses

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Frutas, legumes e verduras expostos em feira durante alta da inflação dos alimentos

Preços de alimentação e bebidas acumulam alta de 4,37% no ano, acima da inflação geral; tomate, cebola, batata e arroz puxaram avanço recente

A inflação dos alimentos voltou a ganhar força no Brasil e já pressiona novamente o orçamento das famílias. Depois de três meses de queda entre junho e agosto, o grupo alimentação e bebidas subiu 0,83% em setembro e voltou a acelerar na prévia de outubro.

Os dados do IPCA-15, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a alta de alimentação e bebidas passou de 0,40% para 0,88% entre setembro e outubro. O movimento reforça o sinal de que o mercado pode continuar mais caro nos próximos meses, embora especialistas alertem que ainda é cedo para cravar uma trajetória contínua de alta.

De janeiro a setembro, os preços de alimentação e bebidas acumulam avanço de 4,37%, acima do IPCA geral do período, de 3,95%.

Tomate, cebola e batata puxam alta recente

A principal pressão veio dos alimentos consumidos dentro de casa. No IPCA-15 de outubro, a alimentação no domicílio avançou 1,01%, contra 0,38% no mês anterior.

Entre os itens que mais subiram estão:

  • tomate: 24,54%
  • cebola: 13,63%
  • batata-inglesa: 10,96%
  • arroz: 5,80%

Apesar do avanço, nem todos os produtos ficaram mais caros. A cenoura recuou 10,67%, as frutas caíram, em média, 1,37%, e o café moído teve baixa de 1,16%.

Alguns grupos acumulam alta expressiva no ano

No acumulado de 2026, os maiores aumentos dentro de alimentação e bebidas aparecem em itens básicos da mesa do brasileiro.

Tubérculos, raízes e legumes acumulam alta de 46,54%. Leite e derivados avançam 12,47%, enquanto cereais, leguminosas e oleaginosas sobem 10,74%.

Na outra ponta, houve recuo nos preços de óleos e gorduras, com queda de 5,65%, aves e ovos, com baixa de 4,99%, e bebidas e infusões, com redução de 3,37%.

Clima pode pressionar hortaliças, frutas e legumes

Para os próximos meses, um dos principais fatores de atenção é o clima.

O coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, André Braz, afirma que excesso de chuvas, períodos de seca ou temperaturas elevadas podem prejudicar tanto a produção quanto a distribuição de alimentos perecíveis.

Segundo ele, hortaliças, legumes e frutas podem subir rapidamente quando há redução na oferta, mas também costumam recuar quando o abastecimento se normaliza.

Por isso, especialistas evitam projetar automaticamente para os próximos meses a alta recente observada em itens como tomate e batata.

Petróleo também entra no radar

Outro fator de risco é o preço do petróleo.

O barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 117 na sexta-feira (23), elevando a atenção sobre os custos de transporte.

Caso a alta internacional chegue ao preço do diesel, o frete dos alimentos poderá ficar mais caro. O efeito final para o consumidor, porém, dependerá da duração da alta, da concorrência e da capacidade de produtores e comerciantes absorverem parte do custo.

Esse fator, portanto, é visto como risco para os próximos meses e não como explicação direta para a alta já registrada nos índices.

Carne também preocupa especialistas

O economista Rodolfo Olivo, professor da FIA Business School, avalia que a inflação dos alimentos pode continuar subindo por questões climáticas e sazonais, mas ressalta que esse movimento não está garantido.

Segundo ele, a carne merece atenção por fatores ligados à entressafra, oferta de animais para abate, condições de pastagem e custos de produção.

Caso esses fatores sejam temporários, os preços podem subir por algum período e depois voltar a ceder.

Capitais registram alta acima da média

Em algumas capitais, a inflação de alimentos acumulada no ano já supera com folga a média nacional.

Os maiores avanços aparecem em Porto Alegre, com 5,91%, seguida por Aracaju, com 5,71%, Goiânia, com 5,52%, Vitória, com 5,14%, Fortaleza, com 4,69%, São Paulo, com 4,65%, e São Luís, com 4,46%.

O resultado mostra que a pressão sobre os alimentos varia bastante entre as regiões e depende de fatores locais de oferta, transporte e abastecimento.

Alta preocupa, mas ainda não é tendência garantida

Os dados mais recentes apontam para uma nova aceleração dos alimentos, mas especialistas reforçam que o comportamento dos preços nos próximos meses dependerá da combinação entre clima, custos de transporte, oferta agrícola e sazonalidade.

Por enquanto, a sinalização mais clara é que a inflação dos alimentos voltou a incomodar depois de uma sequência de meses de alívio.

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