COMISSÃO REABRE CASO E APONTA: JK TERIA SIDO ASSASSINADO PELA DITADURA

RELATÓRIO APONTA “ATENTADO POLÍTICO” CONTRA JUSCELINO KUBITSCHEK

Quase 50 anos após a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, uma reviravolta pode mudar oficialmente a história do país. Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que JK não morreu em um simples acidente de carro em 1976, mas sim vítima de uma ação da ditadura militar brasileira. 

O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, ainda será votado pelos conselheiros da comissão, mas já há maioria favorável à aprovação do parecer. Caso isso aconteça, a certidão de óbito de JK poderá ser alterada oficialmente para reconhecer que sua morte teve motivação política. 


O ACIDENTE QUE SEMPRE LEVANTOU SUSPEITAS

JK morreu em 22 de agosto de 1976, quando o Opala em que viajava pela Via Dutra perdeu o controle e bateu violentamente em uma carreta. O motorista e amigo pessoal do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, também morreu no local. 

Na época, a versão oficial apontou que o carro teria sido atingido por um ônibus da Viação Cometa antes do acidente. Essa conclusão foi mantida durante décadas, inclusive pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014. 

Mas outras investigações passaram a contestar essa narrativa e levantaram hipóteses de sabotagem mecânica, envenenamento do motorista ou até mesmo disparo contra o veículo. 


PERÍCIA REJEITOU VERSÃO OFICIAL

Um dos principais pontos do novo relatório é uma perícia conduzida pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, especialista em transportes, durante investigação do Ministério Público Federal.

Segundo a análise técnica, não houve colisão entre o ônibus e o Opala de JK antes do acidente. O estudo desmonta os laudos antigos usados para sustentar a tese oficial e afirma que as conclusões anteriores se basearam em documentos considerados “imprestáveis”. 

A investigação do MPF também apontou falhas graves nas apurações feitas durante a ditadura, incluindo ausência de exames toxicológicos completos e inconsistências nos laudos periciais da época. 


CONTEXTO POLÍTICO REFORÇA SUSPEITAS

O relatório destaca que JK era visto como uma ameaça política pelos militares. Cassado após o golpe de 1964, o ex-presidente integrava a Frente Ampla, movimento de oposição à ditadura ao lado de outros líderes políticos. 

O documento cita ainda a Operação Condor, aliança entre ditaduras da América do Sul apoiada pelos Estados Unidos para perseguir opositores políticos. Em documentos da repressão chilena, o nome de JK teria aparecido como uma das lideranças consideradas perigosas para os regimes militares da região. 


CASO PODE TER O MESMO DESTINO DE ZUZU ANGEL

A comissão também usa como referência o caso da estilista Zuzu Angel, cuja morte foi oficialmente reconhecida anos depois como consequência da repressão da ditadura. Inicialmente tratada como acidente, a morte acabou reclassificada após novas provas e investigações. 

Agora, o mesmo caminho pode ser seguido no caso JK.


CERTIDÃO DE ÓBITO PODE SER ALTERADA

Caso o relatório seja aprovado pela comissão, a certidão de óbito de Juscelino Kubitschek poderá ser retificada oficialmente para registrar que sua morte foi violenta e provocada por perseguição política do Estado brasileiro. 

A possível decisão reacende uma das maiores controvérsias políticas da história do país e promete inflamar o debate público às vésperas dos 50 anos da morte de JK.

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